O "Admirável Mundo Novo" do Second Life

Fiquei sabendo do Second Life num evento científico em que participei há alguns meses atrás, mais precisamente em dezembro de 2006. Eu compunha uma mesa com outros pesquisadores, cada qual falando de suas experiências e práticas, artigos e produções, para um público reduzido mas bastante interessado.
Foi então que, passada a palavra a um dos professores que ali se encontravam, iniciou-se a apresentação para os demais do universo paralelo estabelecido no mundo virtual conhecido como Second Life. Estudioso dos games, o pesquisador nos disse ter entrado literalmente de "cabeça" nessa segunda vida - misto de jogo com simulação da realidade - possuindo 3 avatares (esse é o nome genérico dado aos personagens virtuais que cada participante tem no Second Life).
De acordo com os dados que ele tinha em mãos, naquele momento os participantes dessa plataforma virtual somavam aproximadamente 3 milhões de pessoas. Dado pouco surpreendente a princípio, principalmente quando levamos em conta as estatísticas de acesso do Google ou a quantidade de pessoas que utilizam o MSN e os principais sites do planeta. A surpresa, para nosso espanto, residia no fato de que o Second Life tinha apenas alguns meses de existência e que, portanto, em menos de um ano saíra do zero para alguns milhões de usuários...
Aquela altura já havíamos sido informados que havia um custo em lindens (convertido em dólares), a moeda do Second Life, para que uma pessoa qualquer pudesse ingressar nesse "Brave New World" (Admirável Mundo Novo - título de obra literária clássica de Aldous Huxley, obra a respeito da qual já escrevi uma resenha e que, para melhor compreensão do título dessa postagem, convido todos a ler no seguinte link do Planeta Educação http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=756) e que, mesmo assim, o acesso tornava-se crescente a cada novo dia.
Outra informação bastante interessante relatava que empresas importantes estavam abrindo escritórios e filiais nesse novo mundo virtual. Algumas delas já estavam inclusive fazendo negócios através do Second Life que repercutiam no mundo real - com dinheiro entrando em suas contas e produtos sendo entregues para consumidores que também estavam interagindo pela internet naquela plataforma.
Como estudioso das tecnologias logo me interessei pelo assunto. A postura do pesquisador que nos apresentou o Second Life me deixou um pouco assustado quanto aos limites de nossa relação com a tecnologia. Sua fixação e verdadeira obsessão (não consegui encontrar outros adjetivos para qualificar o que percebi) em relação aos games e ao Second Life me causaram a impressão de que esses recursos podem causar até mesmo vício e nos deixar catatônicos, além de nos afastar do convívio social com os demais...
Não posso negar as possibilidades do recurso. Penso no entanto que não podemos abrir mão da vida real para assumir uma segunda vida... Relatei essa preocupação em uma pensata que produzi para o Planeta Educação e convido todos a ler aquele texto para compreender melhor meus sentimentos em relação a isso (O texto se chama "Para que reinventar a vida - Não quero ser virtual" e está disponível no Planeta Educação no seguinte link http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=741).

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