Como as pessoas aprendem: Conhecimento preexistente

  • "A ênfase no entendimento leva a uma das principais características da nova ciência da aprendizagem: o foco nos processos do conhecimento. Os seres humanos são vistos como agentes guiados por objetivos, que procuram informações de modo ativo. Chegam a educação formal com uma série de conhecimentos, habilidades, crenças e conceitos prévios, que influenciam significativamente o que percebem sobre o ambiente e o modo como organizam e interpretam essa percepção. Isso, por sua vez, influencia suas capacidades de recordação, raciocínio, solução de problemas e aquisição de novo conhecimento. (...) No sentido mais geral, a visão contemporânea a respeito de aprendizagem é que as pessoas elaboram o novo conhecimento e o entendimento com base no que já sabem e naquilo em que acreditam." (Como as pessoas aprendem, Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, publicado no Brasil pela Editora Senac-SP, 2007).
Não é possível que continuemos entrando em sala de aula desprezando os conhecimentos preexistentes de nossos estudantes. Impor conteúdos sem levar em conta a experiência de vida e os direcionadores que os alunos adquiriram ao longo de suas vidas, no contato com suas famílias, com as comunidades em que vivem ou viveram, com a religiosidade, com o meio-ambiente, com elementos de cultura com os quais tiveram contatos até a entrada na escola,... É, certamente, um erro dos mais grosseiros cometidos pelos educadores.
Foram muitas as oportunidades em que li ou ouvi pessoas dizendo que os alunos não são como lousas em branco, nas quais nenhuma informação existia de antemão até o ingresso dos mesmos nas escolas. Porém, uma coisa é pensarmos dessa forma, outra bem diferente refere-se a aplicação e respeito a essa idéia. A coerência entre o pensar e o agir é a maior dificuldade e empecilho a aplicação de ótimas idéias com as quais travamos contato.
A princípio todo mundo advoga o que parece ser a idéia mais importante em voga no momento ou mesmo conceitos clássicos consagrados e respeitados por todos... mas na prática o que vemos é a continuidade do velho e tradicional esquema de aulas em que os alunos somente prestam atenção (se é que isso realmente acontece, já que a escola é tão cansativa, repetitiva e desgastante) e os professores despejam informações de forma até mesmo inconsciente - num reprodutivismo sem reflexão, despropositado quanto a formação plena e crítica do aluno a comunidade. Que tal repensar tudo isso?
Vamos valorizar a experiência prévia do aluno, mas não podemos deixar de demonstrar aos mesmos quais são os caminhos da ciência em contraposição ou como raciocínio melhorado em relação ao conhecimento mais simples, de senso comum trazido pelo estudante de sua experiência no mundo.

Comentários

  1. Concordo contigo, não podemos achar que o aluno não trás consigo uma bagagem muito preciosa para a escola. E também acho que é dificílimo colocarmos essa idéia em prática, tomo muito cuidado para não passar como rolo comprensor sobre meus alunos. Mas havemos de tomar cuidado e não generarizar, pois sei que a maioria com que trabalho também se desdobra para que isso não ocorra ! Esse é um livro que ainda estou lendo, onde estou aprenndendo bastante.

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  2. João Luís de Almeida Machado19 de junho de 2007 às 08:21

    Oi Andréa,

    Ao desprezar a bagagem dos alunos estamos condenando o espaço de aula a se tornar um lugar onde prevalecem os monólogos. Falamos apenas nós, os professores, enquanto os alunos teoricamente nos escutam e, quase que por osmose, incorporam (???) a informação... como se isso fosse possível. Somente ao criar linkagens entre o que pensam os alunos a partir de sua experiência de vida original com o que nos traz a ciência, a filosofia, as artes e todas as ações humanas estruturadas e complexas - respeitando o estudante e valorizando sua participação - poderemos pensar em educação efetiva!

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  3. Concordo contigo ! Eu sempre procuro ouvir para partir daquilo que o aluno me trás. Deste diálogo são produzidos os conceitos e o saber ! Por isso é que lhe digo: Não podemos generalizar ! Esse professor "dono do saber" está em extinção ! Os que ainda existem assim estão desaparecendo ou mudando ! Acredite ! Não somos mais assim !
    Convido à você, João, dá uma olhadinha no meu Blog é ler o que estou postando sobre o Livro e sobre esse assunto. Vamos trocar figurinhas ?
    http://dicasdeciencias.wordpress.com/2007/06/19/como-as-pessoas-aprendem/
    Abraços !

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  4. João Luís de Almeida Machado20 de junho de 2007 às 08:01

    Oi Andréa,

    Será muito interessante e enriquecedor trocar idéias com você, entrarei no blog ainda hoje!

    Abraço.

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