Lições do mundo do trabalho...
Destaco e comento a seguir algumas declarações extraídas do depoimento de Fernando Tigre, executivo da Alpargatas, "que transformou a Havaianas em grife mundial" à revista Época Negócios, edição n° 4, de junho de 2007.
- "Uma companhia aérea pode ter os melhores aviões, as melhores rotas, os melhores pilotos, os melhores diretores, mas, se a moça do check-in tratar mal o cliente e a aeromoça for antipática, você perdeu tudo."
Estou no mercado de trabalho há um quarto de século e não posso deixar de afirmar que a colocação de Tigre é de um tremendo bom senso. Não é necessário aprofundar-se em teorias clássicas ou nas mais recentes teses da administração para chegar a conclusão que qualquer atividade desenvolvida pelos seres humanos depende não apenas de perícia técnica, alto grau de conhecimento na área, equipes profissionais e envolvidas com os processos, tecnologia de ponta ou infra-estrutura de suporte se não tivermos por parte das pessoas que trabalham na empresa o necessário cuidado com os clientes que atendemos. E quando falamos em cuidado queremos mais especificamente dizer atenção, simpatia, presteza e respeito. Nas escolas não é diferente... A relação professor-aluno tem que ser pautada em autoridade e respeito a evidente hierarquia, mas não devem faltar aos mestres os elementos que tornem o convivio agradável e humano...
- "Quando você entra num lugar, encontra três tipos de pessoas. Há aquelas que estão com você porque querem mudanças. Há as que fingem querer mudar, mas no fundo não querem. E, finalmente, as que estão sempre contra, derrotistas."
Creio que não existam apenas esses três tipos de pessoas, trata-se evidentemente de uma simplificação feita pelo executivo. No entanto, no que se refere a objetivos de uma empresa essa caracterização é bastante fortuita. E deve ficar claro que, no contexto do mundo do trabalho, infelizmente o primeiro grupo, aquele focado nas mudanças e que faz de tudo para implementá-las é o menor dos três. As pessoas estão sempre mais preocupadas com aquilo que lhes é imediato do que com projeções e trabalhos que tenham relação com o futuro... Na educação o cenário é bastante parecido. Há idealistas que batalham por alterações que pensam e sabem ser muito prementes, há os pseudo-reformadores que até pensam nas teses que gostariam de fixar na Catedral de Edimburgo (como Lutero) mas que ficam apenas no discurso e na crítica sem que atuem no sentido das modificações necessárias e, por fim, há os arautos das derrotas que ainda vão chegar e que fazem força para que isso aconteça ao manter-se no imobilismo e no tradicionalismo...
- "Sempre gosto de ter algum sujeito meio louco na equipe, aquele que você tem de amarrar senão ele fica voando a 100 metros de altura. Prefiro segurar a ter de empurrar alguém ladeira acima."
Sujeitos de alma livre, inconformados com o que observam ao seu redor, em busca de respostas para dilemas que os afligem e que não tem medo de tentar mesmo que isso acarrete erros e insucessos. Pessoas que irão errar algumas vezes mas que em algum momento acertarão e que com isso trarão inovações e realizações importantes para si e para todos. Gente que não tem medo do trabalho, que gosta de desafios e que literalmente quer voar... Eu também prefiro estar ao lado deles do que de conformistas e derrotados que somente aguardam o tempo passar esperando a aposentadoria do emprego e, pior ainda, da própria vida...

Olá João,
ResponderExcluirMuito interessante este seu artigo, vem de encontro com o meu trabalho junto as nossas equipes internas. Precisamos ser não só resilientes às mudanças, mas, também sairmos da chamada zona de conforto que o tempo nos coloca.Tentar coisas novas que possam contribuir com a melhoria da sociedade como um todo. Por isso, todos os dias devemos nos perguntar:
- O que posso fazer para melhorar a minha vida e a das pessoas? Seja no âmbito pessoal como profissional.
Parabéns!!
Clau
Oi Cláudia,
ResponderExcluirTambém acho. Penso que não podemos parar no tempo e que, da mesma forma, a conformidade e o continuísmo sem criatividade são formas certas de gerar não apenas a própria paralisia, mas também a de empresas, empreendimentos e projetos!
Obrigado!