Raio X da Educação Brasileira
Educação virou prioridade no Brasil. Se isso ainda não pode ser percebido em medidas que leguem ao ensino brasileiro a qualidade que dele esperamos, ao menos a movimentação que existe por parte de pesquisadores, educadores, jornalistas e (pasmem) até mesmo políticos quanto aos indicadores nacionais tem sido grande. Todos os dias há notícias e informações, dados e tabelas e, principalmente, novas idéias e propostas para a educação nacional.
Esse grande movimento ainda não resultou em mudanças que possam ser percebidas a olho nu, ou seja, sem um microscópio que demonstre que as transformações estão ocorrendo dentro de um ser vivo de grandes dimensões como o Brasil, alterando-se lentamente as bases genéticas (e especialmente as culturais), não conseguimos ter uma clara acepção dos acontecimentos.
A mais expressiva alteração revela-se na busca de dados sobre a educação nacional. Exemplo, na semana passada os jornais divulgaram dados de pesquisa do MEC e do Inep através da qual pudemos saber que há uma enorme carência de professores para lecionar no Ensino Médio. Calcula-se que o déficit seja de aproximadamente 250 mil profissionais, com maior ênfase na área de exatas. O que queremos dizer com isso? Que há emprego sobrando e profissionais a menos do que se espera em todas as disciplinas lecionadas no Ensino Médio...
Outra informação importante divulgada na semana passada? Os estudantes universitários se informam nos dias de hoje principalmente a partir da televisão e da internet. Mesmo buscando formação profissional para ingressar no mercado competitivo que temos hoje em dia, lêem apenas 2 livros, em média, por ano... A situação fica ainda pior se levarmos em conta que muitos estudantes universitários lêem apenas o que lhes é pedido ou requisitado pelos professores (que por sua vez também realizam pouca leitura) e tem o seu olhar direcionado quase que exclusivamente para assuntos técnicos relativos a sua própria formação... Não há grande preocupação com a formação cultural ampla, abrangente, irrestrita, sem demarcações disciplinares fronteiriças...
As pesquisas também constataram que as pessoas que estudam para ingressar na nobre área da educação são pessoas de origem mais humilde. São estudantes das áreas de pedagogia, normal superior, história, geografia, filosofia, letras, matemática, artes e afins e que serão os professores do futuro - pessoas que estudaram em escolas públicas que não lhes legaram as melhores condições e possibilidades, ou seja, isso pode acabar sendo comprometedor para o futuro do país.
Quando falo isso não expresso qualquer tipo de preconceito como podem pensar alguns, mas levo em conta a defasagem do ensino público nacional que tem apresentado índices baixíssimos de aproveitamento e de aperfeiçoamento de seus estudantes. Trata-se portanto da constatação de que estamos vivendo um círculo vicioso em que sacrificamos a educação ao não definirmos como meta a qualidade do ensino desde a educação infantil e, em especial, nas primeiras séries do fundamental, justamente aquelas que alfabetizam...
O problema que levanto não reside na origem humilde dos educadores, mas sim na qualidade do ensino que tiveram até o momento em que ingressaram na universidade...
De qualquer forma, as perspectivas parecem indicar que podemos vislumbrar melhorias no horizonte futuro do país. Mudanças de atitude e postura quanto a educação já podem ser notadas e, aparentemente, as pessoas começaram a entender que qualquer mudança que tenha como foco o progresso da nação passa necessariamente pela sala de aula...

Os indicadores são indicativos da realidade escolar, mas não correspondem ,ainda,a uma alteração da postura adotada frente aos problemas educaionais.
ResponderExcluirO site do INEP, traz, em média a cada 15 dias dados atualizados da educação brasileira, através de gráficos muito interessantes.
A grande questão não é tanto a radiografia, mas quem será o "médico" a avaliá-la e qual será o "tratamento" para a "doença" diagnosticada.
Ou será que permaneceremos na inércia do problema?
Toda transformação demanda tempo. Com a educação, no Brasil, não é diferente. Ela, a educação, está adequando-se às novas perspectivas, ás novas necessidades, às novas tecnologias... ao mundo atual como um todo.
ResponderExcluirDurante o processo de transformação, muitas tentativas são feitas, as quais, nem sempre, resultam em sucesso. Aliás, no Brasil, houve um período em que os insucessos foram bem maiores e as escolas, assim como os professores, ficaram desvalorizados. Os reflexos estão aí...
Parece que agora, os resultados positivos estão começando a aparecer... Que bom!... Mais um passo foi dado nesse longo trajeto de transformação pela qual passa a educação, e em alguns anos, estaremos bem próximos do que consideramos uma educação ideal.
A educação precisa ser valorizada desde a educação infantil , por ser a base de tudo e o proprio educador deve estar se auto radiografando
ResponderExcluirEste texto mostra que a educação é o retrato da sociedade brasileira, não adianta pensar que é suficiente tratar o problema da educação isoladamente. É bastante preocupante o fato de que no Brasil o acesso à cultura é um privilégio de pouquíssimas pessoas, é urgente criar as bases para que a educação de qualidade possa ser realmente democratizada, para o que obviamente não basta colocar todos na escola. É necessário que toda a sociedade e também os governos encarem o problema de frente e arregacem as mangas para trabalhar com afinco e seriedade para efetuar mudanças reais na educação.
ResponderExcluirOBS.: O termo "acepção" me pareceu um pouco inapropriado para este texto,talvez o melhor fosse "percepção". Porém não tenho certeza, tentei olhar no Aurélio eletrônico e não consegui, se você puder dê uma olhadinha para confirmar.
Um grande abraço do
Luiz Galvão (Bauru)
A educação precisa ser valorizada e melhorada realmente.Porém colocar que o problema é que os professores são oriundos da escola pública e tem uma formação defasada é um pouco forte,pois em sua maioria cursaram a escola pública no Ensino Fundamental e Médio, porém o Ensino Superior em Escolas Privadas.Precisa melhorar sim,para que mais pessoas possam cursar a Universidade Pública e terem melhor formação.
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