Abaixo o Stress, Viva a Preguiça

  • "Caymmi é vanguarda. De uns tempos para cá, cultivar a preguiça virou moda. Uma onda de preguiçosos assumidos assola o mundo - só no ano passado, foi lançada mais de uma dezena de livros sérios sugerindo desde a vadiagem propriamente dita ao boicote ao trabalho duro. As razões parecem óbvias. Cada vez mais gente chega à conclusão de que uma agenda lotada de tarefas a cumprir num curto espaço de tempo não é mais um motivo de status, e sim uma fonte de frustrações pessoais, além de uma porta escancarada para uma série de males, que vão da estafa aos ataques cardíacos." (Ai, que pregui. Artigo de Mariana Sgarioni, publicado pela Revista Vida Simples, Edição 41, Maio de 2006).

A vida que levamos está nos matando. Corremos riscos no trânsito. Deixamos os nossos corações a ponto de explodir a qualquer momento. Não nos preocupamos mais com as outras pessoas, apenas com as obrigações e compromissos. Não curtimos nem mesmo os doces prazeres da vida, aqueles que tanto prezamos, como por exemplo assistir a um bom filme, escutar música com tranquilidade ou mesmo deitar numa rede e ler um livro agradável e interessante. Viramos escravos de uma produtividade que tem que ser cada vez maior...
Percebo isso nos ambientes em que trabalho. Todos parecem tão absorvidos pelo trabalho que nem se dão conta da existência de seus colegas. As telas dos computadores estão a nos direcionar com tal força os olhares e as energias, que não há, sequer, tempo para os cordiais cumprimentos. Com tantos afazeres, nem podemos pensar, refletir, aprofundar o nosso modo de ver as coisas, de entender o mundo...
Nem mesmo a velocidade que nos traga a cada momento é motivo de pensamento, o que nos leva cada vez mais para o olho do furacão. A malemolência do baiano faz-se necessária, o ócio produtivo dos gregos antigos é uma fórmula que não pode ser esquecida jamais. Não quero chegar ao fim dos meus dias com a impressão de que vivi apenas para bater cartão, cumprir horários, fazer relatórios ou corrigir provas. As estatísticas e o trabalho são partes importantes de nossas vidas, mas estamos nos esquecendo do que realmente é primordial, ou seja, a relação que criamos com o mundo ao nosso redor e que pode nos levar a felicidade ou a melancolia, ao êxtase ou ao fracasso, as vitórias ou as fragorosas derrotas...
E onde estão as vitórias e as derrotas? Na forma como lidamos com as pessoas, dando ou não a cada uma delas o devido respeito, companheirismo, amizade, risos, atenção, palavras,... Apesar de estar rodeado de pessoas, as vezes me sinto tão só e percebo com clareza as mensagens do filme "Crash", que alardeiam a idéia de que estamos apenas esbarrando um nos outros, sem realmente nos perceber, sem nos fazer sentir, sem realmente viver como deveríamos...
Por João Luís Almeida Machado

Comentários

  1. Trabalho num dept onde acabou se concentrando muito gente brincalhona e risonha. Tu não tem noção de como o ambiente é bom. Muito gente falando bobagens e rindo e produzindo muuuito viu.
    Claro que somos mal vistos por outros depts (na minha opinião, mas como era de se esperar nem ligamos. Nossa felicidade ninguém vai tirar. Espero que ninguém tire nosso trabalho. hehehe

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  2. João, se a Cris disse, tá dito! Essa menina é fera. Foi colunista lá do Simplicíssimo e sempre produziu muito (e muito bem, literariamente falando).

    Mas você já falou tudo. Graças, percebi tudo isso já há vários anos e consegui reduzir o ritmo da minha vida e o velocidade do meu mundo e da minha família significativamente. Também estou fazendo isso com minha secretária e as pessoas à sua volta. Quando o mundo quem me espremer - pacientes exigindo atendimento a qualquer hora, lojas querendo vender "o último produto da promoção", a resposta é sempre na mesma direção: evitar a pressa desnecessária. E sabe que sinto que já estou conseguindo influenciar as pessoas mais próximas? Estou achando isso bem interessante.

    Gosto muito de uma revista da editora abril chamada Vida Simples, conheces? Altamente recomendável. Ela foi co-responsável no meu processo de mudança, que começou já há mais de 4 anos.

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