Prêmios para os professores não faltosos...
- "A gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), finalizou um projeto no qual haverá aumento da gratificação em dinheiro aos professores e funcionários que faltarem menos e não mudarem de escola. A proposta está presente no plano de reestruturação da carreira dos servidores da Educação que a prefeitura deve enviar hoje à Câmara. A rotatividade e o número de faltas dos servidores são apontados pelo governo como alguns dos principais problemas da educação do município -a média dos estudantes de 4ª série da cidade é inferior à média nacional das demais redes municipais na Prova Brasil.Somente de janeiro a agosto deste ano, os professores tiveram 97,4 mil faltas abonadas (sem perda de salário). A rede possui 50 mil docentes (média de duas ausências por educador no período). Houve ainda outras 11,9 mil faltas, que acarretaram perda de vencimento. Serão considerados no Sistema de Avaliação Institucional o número de faltas dos profissionais, o tempo que eles estão lotados na escola e índices de qualidade da unidade (como repetência e evasão dos alunos)." (Kassab quer ampliar prêmio de professor que faltar pouco, artigo de Fábio Takahashi para a Folha de São Paulo do dia 27/11/2007).
A que ponto chegamos... O que deveria fazer parte das responsabilidades do cotidiano dos profissionais da educação não é cumprido como deveria por boa parte dos mesmos (que ainda assim recebem seus salários) e, para resolver o problema os governantes se vêem obrigados a criar mecanismos que premiem aqueles que cumprem com o que lhes é pedido, ou seja, não faltam as aulas... Não é possível pensar que a quantidade de professores faltosos e que se justificam apelando para o expediente dos atestados médicos (que, como já foi veiculado pela televisão, já são vendidos para dar suporte a tal iniciativa) seja tão grande como os dados da educação paulista nos fazem acreditar. Isso é ainda mais evidente quando verificamos que comparativamente com os 13% de faltosos da rede pública do estado mais rico do país somente 1% de faltas são registrados em estabelecimentos educacionais privados também de São Paulo. Ainda mais quando sabemos que muitos dos professores dessas escolas particulares atuam paralelamente em escolas do estado ou dos municípios. Diante das circunstâncias, talvez a premiação e o incentivo aos profissionais corretos, que nunca faltam (ou que se assim o fazem realmente agem movidos por causas justas), que se dedicam a durante anos a uma mesma unidade escolar (que não ficam migrando de uma escola para outra), quem sabe assim a qualidade da educação paulista melhore mesmo, ainda mais sabendo-se que um dos critérios para promoções e prêmios passará a ser os índices estaduais e nacionais de avaliação da educação...
- Obs. Sei que há professores que ficam doentes e que, com justiça e responsabilidade, utilizam seus direitos adquiridos utilizando os atestados médicos. Assim como também acredito que deveria haver maior responsabilidade dos médicos quanto ao caso. Mas que o abuso está evidenciado nos números, isso sem sombra de dúvidas, há...
Por João Luís Almeida Machado

O estado de SP já tem medidas semalhantes e sabe qual é o resultado? Professores vão trabalhar doentes e acabam agravando seus problemas físicos e psicológicos na esperança de receber uns troquinhos a mais. Antes de criticar o absenteísmo dos profissionais da educação é preciso entender seus motivos. Assista o filme "Pro dia nascer feliz" (2007).Faça uma pesquisa rápida entre os professores. O verdadeiro motivo é o excesso de trabalho, motivado pelos baixos salários, e o a falta de condições.
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