Prêmios para projetos de pesquisa publicados em revistas internacionais de prestígio
- A Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai passar a premiar pesquisadores que publiquem trabalhos científicos em revistas de prestígio internacional. O programa prevê a premiação de docentes que publicarem nas revistas Science e Nature com o valor de R$ 15 mil, a ser aplicado em custeio ou em pesquisa. Além do prêmio individual, o programa também dará incentivos às unidades universitárias e complementares que obtiverem o maior índice por publicação em revistas indexadas no "Science Citation Index" (SCI) e nos periódicos classificados pela Capes como Qualis Internacional A e B e Nacional A. Os valores são de R$ 400 mil e de R$ 20 mil, respectivamente. (Fonte: Estadão Online)
Todo incentivo é válido, mas há algumas constatações básicas a se fazer quanto a atitude da Unesp, a saber:
- Investimentos em pesquisa, inclusive salários dignos e de acordo com padrões adotados em universidades norte-americanas e européias, deveriam ser a regra como forma de real incentivo para o desenvolvimento de patentes, projetos, idéias e teorias de valor em nosso país.
- Esses investimentos podem (e devem continuar) sendo feitos pelos governos federal e estaduais, mas deve também surgir e ser colocado como prática efetiva e cotidiana o suporte das empresas privadas que tanto podem se beneficiar de projetos de pesquisa para a criação de novos produtos e serviços.
- Os prêmios dados pela Unesp podem ser importantes no sentido de dar maior estímulo a pesquisa e também como exemplo para a ação de outras instituições.
- Tornar-se um celeiro de idéias, patentes, projetos e teorias é uma meta importante a ser perseguida pelo nosso país se há realmente interesse em que o Brasil seja uma nação desenvolvida.
- Encurtar o caminho entre o desenvolvimento de pesquisas nas universidades e as empresas privadas é uma das mais prementes ações a serem tomadas no país.
Por João Luís Almeida Machado

O critério para a premiação da UNESP não é de incentivo à produção em pesquisa: é meramente um efeito secundário dos critérios de avaliação da CAPES para os cursos de pós-graduação.
ResponderExcluirNa última avaliação trienal, a CAPES instituiu, como critério de avaliação, o número de publicações em revistas Qualis A. Embora ninguém vá argumentar que publicações em revistas de qualidade seja uma das metas dos pesquisadores de qualidade, este não é um indicativo da qualidade da pesquisa. A grande maioria dos artigos científicos publicados, mesmo em revistas Qualis A, não são citados posteriormente (a citação é um parâmetro muito mais significativo da qualidade da pesquisa).
Para não se dar ao trabalho de verificar qual o impacto de cada artigo, a CAPES prefere utilizar o impacto da revista. Um contra-exemplo famoso é o Nobel de Física, dado à descoberta da supercondutividade de altas temperaturas. O artigo foi publicado em uma revista menos conhecida (Zeitschrift fur Physik) mas que, após a publicação do artigo, se tornou uma com um dos maiores parâmetros de impacto (devido a apenas UM artigo).
Como pesquisador em uma universidade pública, eu gostaria muito que minha universidade também fosse tão generosa quanto a UNESP nesta premiação, mas duvido que isto vá causar qualquer impacto positivo na qualidade dos cursos de pós-graduação.