Educação pública de qualidade, mais que um sonho, uma possibilidade real...
- "Ao comparar o desempenho dos melhores alunos dos colégios particulares e dos melhores alunos da rede pública no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação (MEC) fez uma descoberta surpreendente. Ao contrário do que se imaginava, os estudantes mais aplicados dos colégios municipais, estaduais e federais obtiveram uma nota média de 68,77, numa escala de zero a 100, contra 68,72 dos estudantes mais aplicados da rede privada. Na prova de redação, a diferença foi superior a 9 pontos em favor da elite da rede pública. A comparação foi feita entre 149.430 alunos da rede pública que concluíram o ensino médio em 2006 e 149.430 escolhidos entre os melhores formandos da rede privada. Divulgado com exclusividade pelo Estado, o estudo do MEC mostra que 91% dos melhores alunos da rede pública estão matriculados em escolas estaduais, 6,2% em escolas federais e 2,5% em escolas municipais. A maioria dos melhores alunos da rede pública de ensino médio se concentra nas Regiões Sul e Sudeste, as mais desenvolvidas do País, onde há Estados, como o Rio Grande do Sul, com um longo histórico de investimento em educação básica e em qualificação dos professores das redes públicas. Foi por isso que os alunos gaúchos obtiveram uma média superior à brasileira no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cujos resultados foram divulgados há três semanas. No total, o ensino médio tem 9 milhões de alunos matriculados. A grande maioria dos estudantes da rede pública saiu-se mal nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), no Pisa e no Enem, que é uma prova optativa. Se forem consideradas as notas médias dos 602.232 concluintes do ensino médio que participaram do teste este ano, o desempenho foi 20 pontos abaixo do registrado entre alunos da rede particular. Mas o brilhante desempenho da minoria, que constitui a elite das escolas públicas, sinaliza o caminho que deve ser seguido pelas autoridades educacionais". (Fonte: Estadão)
Os dados acima foram extraídos de um editorial publicado no jornal "O Estado de São Paulo", cujo título era "A elite do ensino público", e nos levam a breve conclusão apresentada no título que referenda aquilo que todos nós sabemos, ou seja, que é possível (e comprovado pelos dados acima) ter uma educação pública de qualidade igual ou superior a do ensino privado no país.
Vale recordar que, ao fazermos essa comparação, devemos ressaltar que os índices dos alunos de escolas particulares no país, de acordo com o último exame do PISA, possuem nível equivalente ao de estudantes de Portugal, Espanha, Itália e Polônia (entre outros), estando num patamar intermediário na escala daquele exame internacional (aproximadamente 27º lugar).
Se nos lembrarmos que ao computarmos todos os estudantes (das redes pública e privada nacional), os dados nos levam aos últimos lugares do PISA, ao lado de nações africanas muito pobres, que sofrem com epidemias, de economia atrasada e sem as mesmas possibilidades que o Brasil, passamos a entender os motivos que nos levam a crer que existe luz no fim do tunel para a educação brasileira com a divulgação desses dados sobre a elite das escolas públicas nacionais...
E quais são as estratégias utilizadas para conseguir resultados de qualidade na educação pública nacional? Não há fórmulas mágicas, o que existe é estudo, pesquisa, bom senso, aplicação de recursos variados, respeito pelos estudantes, projetos de leitura,... No editorial do Estadão, por exemplo, mencionam-se fatores como professores capacitados, alunos estimulados, novas fontes de informação e também o próprio sistema de avaliação do ENEM e o cômputo dessas notas para o ingresso em universidades...
Por João Luís Almeida Machado

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