Resultados abaixo da crítica na Escola Municipal Paulistana

  • "De cada 100 estudantes da 2ª série do ensino fundamental, 20 não conseguiram aprender a ler. Ou seja, após dois anos de estudo, continuaram sendo analfabetos. Os 80 restantes demonstraram saber ler ou escrever textos simples. Contudo, enfrentam dificuldades para executar tarefas mais elaboradas, como, por exemplo, a redação de um texto com base num tema proposto pelos professores. Em aritmética, a maioria dos alunos da 2ª série se mostrou capaz de fazer adições simples, subtrações entre dois números inferiores a 100 e cálculo de despesas com figuras que representam moedas. Poucos, no entanto, conseguiram ir além, identificando números em tabelas ou gráficos ou resolvendo problemas apresentados em figuras." (A avaliação da escola municipal, publicado nos Editoriais do Estado de São Paulo, no dia 09/02/2008)
Culpa dos governantes? Responsabilidade dos professores? Alunos indisciplinados? Pais ausentes? Escolas mal equipadas? Salários baixos na educação? Enfim, a que atribuir-se-á tal resultado pífio e medíocre agora?
Penso que passamos do tempo de ficar procurando culpados ou responsáveis pelo fracasso, mesmo porque uns apontam os dedos para os outros e no final das contas a escola continua sendo um grande fracasso... Está na hora de todos se unirem (realmente!) por uma educação de qualidade e fazerem a sua parte.
Aos pais compete acompanhar os filhos em sua vida escolar e cobrar (participando diretamente) aulas melhores, tarefas freqüentes, avaliações de bom nível, projetos de leitura, aprendizagem da tabuada,...
Aos alunos cabe a tarefa de estudar, de participar das aulas, de cobrar dos professores aulas melhores (desde que com argumentos qualificados para fazer isso), realizar pesquisas, demonstrar maior curiosidade, entender o valor e a importância da educação em suas vidas, em especial no futuro individual e coletivo de cada um e de todos...
Aos governantes é dada a tarefa de fiscalizar a educação, cobrar uma gestão mais eficiente de cada unidade educacional (e também demonstrar maior competência na administração pública), investir recursos sabendo exatamente porque estão fazendo isso e de que forma isso pode ajudar a educação e, em especial, agindo com idoneidade, respeito e parcimonia com o patrimônio público, principalmente com o futuro da nação, nossas crianças a adolescentes...
Aos professores a mais dura responsabilidade, a de formar pensando não no passar de ano, não em conteúdos estanques e desprovidos de conexão com a realidade, e sim propondo aulas desafiadoras, inteligentes, que valorizem seus alunos e o conhecimento de mundo que eles possuem, respeitando as crianças e prezando o diálogo, usando o que já conhece de educação e indo em busca de novos saberes que o auxiliem a uma melhor prática pedagógica,...
Sei que (aparentemente) estou chovendo no molhado, que todos julgam já saber tudo isso, mas a minha dúvida, se é que todos realmente pensam essas coisas, é porque não estão trabalhando assim, por uma educação melhor, por um amanhã mais prodigioso para todos?
  • Obs. Vale destacar que São Paulo é uma amostragem mais do que clara do que acontece na maior parte dos municípios brasileiros (com exceções, é claro); E é mais do que justo esclarecer que a prova em questão foi bastante simples com "questões formuladas com frases curtas e ilustradas por fotografias, desenhos, gráficos e reproduções de jornais ou capas de livros", tudo de acordo com o nível de aprendizagem que essas crianças deveriam ter atingido...
Por João Luís Almeida Machado

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