E se Cypher estivesse certo?

Matrix é uma fonte inesgotável de oportunidades de reflexão. Li alguns artigos em que os autores colocavam em pauta a possibilidade de Cypher [o traidor do grupo liderado por Morpheus, vivido nas telas por Joe Pantoliano] estar certo quanto a seus posicionamentos. Só para lembrar e entender melhor o que estou falando, Cypher se vende aos agentes da Matrix e entrega segredos do grupo de resistência que acabou de incorporar Neo [Keanu Reeves] a suas atividades. Isso resulta na morte de uma das mulheres do grupo e fragiliza as ações previstas por Morpheus [Lawrence Fishburne]. Ao fazer isso, ele se refere a sua deserção como sendo uma opção consciente, em que ele escolhe a ilusão da Matrix [ainda que apenas efeito de induções eletrônicas sobre o cérebro humano] pois elas lhe garantem conforto, satisfação, riqueza e benefícios que o mundo real, em que ele e seus ex-colegas atuavam como autênticos guerrilheiros era sujo, nefasto, desconfortável e desprovido de qualquer benefício aparente. Somente a liberdade não lhe interessava... Na Matrix era possível comer filé [ainda que virtual], enquanto na batalha dos humanos contra as máquinas os alimentos eram desprovidos de sabor... Cypher escolheu a Pílula Azul...
Imaginem-se então na pele de Cypher... Esse não é, certamente, um exercício que as pessoas gostem de fazer... Ninguém quer ser Judas... Todos querem ser percebidos e vistos como amigos fiéis movidos por causas nobres... Mas será que em nossas vidas, muitas vezes, não estamos optando por escolhas semelhantes a de Cypher...
O sentido prático de nossas existências em vários casos [na maioria para ser mais exato] nos compele a opções racionais. Nossos cérebros procuram, a todo momento definir quais seriam os caminhos mais corretos e adequados a nossos interesses e possibilidades. Nem sempre, ao fazer essas escolhas, conseguimos conciliar nossos interesses mais básicos e prementes [financeiros, por exemplo] com princípios éticos e de cidadania em que acreditamos...
É isso o que, de certa forma, leva as pessoas a pensarem mais no poder do sonante [dinheiro] do que na defesa dos direitos humanos ou da natureza ao se associarem a projetos em que se fabricam armas ou se devastam florestas... E como elas se justificam? Dizendo que a parcela de responsabilidade que lhes cabe numa guerra ou no surgimento de desertos em locais onde antes haviam grandes florestas é mínima, pois eles apenas cumprem ordens e o fazem para garantir sua sobrevivência...
Como resolver esse dilema? Admitindo que estamos mais para Cypher do que para Neo ou Morpheus? Ou refletindo [e agindo dentro das premissas surgidas dessas reflexões] com maior profundidade sobre nossas opções para que escolhamos os caminhos mais equilibrados, nos quais consigamos conciliar sobrevivência e ética...
Imaginem-se então na pele de Cypher... Esse não é, certamente, um exercício que as pessoas gostem de fazer... Ninguém quer ser Judas... Todos querem ser percebidos e vistos como amigos fiéis movidos por causas nobres... Mas será que em nossas vidas, muitas vezes, não estamos optando por escolhas semelhantes a de Cypher...
O sentido prático de nossas existências em vários casos [na maioria para ser mais exato] nos compele a opções racionais. Nossos cérebros procuram, a todo momento definir quais seriam os caminhos mais corretos e adequados a nossos interesses e possibilidades. Nem sempre, ao fazer essas escolhas, conseguimos conciliar nossos interesses mais básicos e prementes [financeiros, por exemplo] com princípios éticos e de cidadania em que acreditamos...
É isso o que, de certa forma, leva as pessoas a pensarem mais no poder do sonante [dinheiro] do que na defesa dos direitos humanos ou da natureza ao se associarem a projetos em que se fabricam armas ou se devastam florestas... E como elas se justificam? Dizendo que a parcela de responsabilidade que lhes cabe numa guerra ou no surgimento de desertos em locais onde antes haviam grandes florestas é mínima, pois eles apenas cumprem ordens e o fazem para garantir sua sobrevivência...
Como resolver esse dilema? Admitindo que estamos mais para Cypher do que para Neo ou Morpheus? Ou refletindo [e agindo dentro das premissas surgidas dessas reflexões] com maior profundidade sobre nossas opções para que escolhamos os caminhos mais equilibrados, nos quais consigamos conciliar sobrevivência e ética...
Por João Luís de Almeida Machado

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