"O Google está nos deixando idiotas" ou preguiçosos?
"Nos últimos anos eu tive uma sensação desconfortável de que alguém, ou algo assim, dilapidou o meu cérebro, fez um remapeamento dos circuitos neurais, a reprogramação da memória. Minha mente não está parando, pode-se dizer, mas está mudando. eu não estou pensando da maneira como costumava pensar. Posso sentir isso mais fortemente quando eu estou lendo. Debulhar um livro ou um vasto artigo costumava ser fácil. Minha mente se concentraria na narrativa ou nas voltas do argumento, e eu passaria horas passeando por longos trechos de prosa. Esse caso é cada vez mais raro. Agora a minha concentração começa a dissipar-se após duas ou três páginas. Eu fico nervoso, perco o fio da meada, Começo a procurar algo mais para fazer. Eu me sinto como se eu estivesse exausto ,sempre arrastando o meu cérebro de volta ao texto. A leitura profunda que costumava vir naturalmente tornou-se uma luta." [Is Google making us stupid?. Artigo de Nicholas Carr. Publicado pela Atlantic Monthly. Agosto /Setembro 2008]
Eu me sinto da mesma maneira. Nicholas Carr descreve algo que está se espalhando por todo o mundo. Aqui no Brasil, por exemplo, está tudo indo na mesma direção. As pessoas lêem menos livros, jornais ou revistas. Artigos científicos são lidos apenas até o ponto que interessa. Mais e mais daquilo que lemos chega a partir da web. Algumas pesquisas no Google e muita gente pensa que o trabalho já está feito. E ainda assim estamos trilhando apenas metade do caminho que nós devíamos estar percorrendo... A maioria das pessoas simplesmente lê alguns parágrafos ou linhas e pensa já ter em mãos todas as informações que precisavam...
Além do que prevalece uma constante troca de páginas da web. Claro que este ir e vir na web é bastante rápido. As pessoas não gastam mais do que um, dois ou três minutos em uma página da web.
As implicações afetam não só os textos escritos ... A ascensão do YouTube e similares está fazendo nosso cérebro se habituar a vídeos curtos. A paciência de assistir a um filme de duas horas de duração é cada vez menor... Esta é igualmente uma grande preocupação porque, afinal, um filme não deve ser apenas uma possibilidade de crescimento cultural, mas em primeira mão é um entretenimento... Se não estivermos dispostos a desfrutar de algo tão popular e divertido, como um filme, o que é que vai acontecer com atividades como a leitura, ouvir música, ir ao teatro e assim por diante? Como é que a nossa relação com todos esses elementos culturais vai ser construída, num futuro muito próximo?
No tocante a pergunta de Carr, em seu artigo, devo dizer que como primeira consequência quanto ao uso excessivo do Google e de outros recursos da internet, estamos ficando mais preguiçosos que nunca. Mas assim como ele acredita nisso como um fato que está ocorrendo nesse exato momento, com as pessoas se tornarndo mais idiotas, eu penso que isso se configura em base diária, construído dia após dia e que terá maiores conseqüências nos anos vindouros, quando as gerações nascidas depois do boom da internet se tornarem maioria no mercado de trabalho...
Por João Luís de Almeida Machado

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