Desliguem seus computadores...
Deu na imprensa a semana passada: "Chefe do Google diz a jovens para saírem do virtual e viverem o mundo real". Delírio? Arrependimento? Surto de Consciência? Afinal de contas, o que Eric Schmidt, o CEO da Google, um dos mais importantes nomes do segmento de tecnologia no mundo de hoje queria dizer com esta afirmação?
Se olharmos um pouco mais para trás no tempo, veremos que outros importantes nomes relacionados as Tecnologias de Informação e Comunicação já haviam expressado semelhante raciocínio. O mais notório deles foi, sem dúvida alguma, Bill Gates, que além de já ter destacado esta necessidade observada por Schmidt, sempre foi categórico com seus filhos quanto a necessidade de se "desplugar" dos computadores e viver um pouco daquilo que há fora dos limites aparentemente tão amplos da web.
Parta do seguinte princípio quando refletir sobre a afirmação de Schmidt ou relembrar Gates: Tudo o que há no virtual descende daquilo que através do contato sensorial (físico, a saber: visual, auditivo, olfativo, através do tato ou ainda do paladar) com a natureza nos permite perceber, tentar compreender, decodificar, criar imagens que ficam em nossos cérebros, definir, utilizar...
Se compreendermos isto, perceberemos que, a médio ou longo prazo, da forma como as coisas estão indo, logo seremos incapazes de renovar o mundo virtual porque não teremos novas referências do mundo real. Estaremos apenas reproduzindo ou relendo aquilo que já conhecemos ou sabemos. Não existirão novas matérias-primas que criem condições para a construção não só do virtual, mas também do real.
Falaremos apenas daquilo que já existe na rede, ainda que multiplicado por milhões ou bilhões de cabeças pensantes, restritos estaremos pelo simples fato de que não há alimento novo sendo colocado em nossos pratos, diante de nossos sentidos...
Temos que colocar a mochila nas costas, encher o pneu das bikes, abrir novas trilhas, conhecer pessoas, conversar sobre o que lemos, assistir novos filmes, jogar bola com amigos, namorar, ir a praia ou a montanha, experimentar um novo alimento, descobrir culturas que ainda desconhecemos, lavar o rosto com a água gélida de um lago a beira do caminho...
E não falo aqui de um sonho ou de um ideal. Trago a tona as palavras de Schmidt para deixar claro que, entre os manda-chuvas da indústria de tecnologia já há clareza quanto ao fato de que estamos nos limitando se ficarmos somente ligados a internet. A despeito de interesses próprios, ligados a necessidade de renovação da própria web com novos conteúdos, idéias, recursos e matérias-primas, como a princípio nos é permitido pensar ser o alvo do CEO da Google com estes dizeres, há muito mais além disto...
Talvez ainda resida um sonhador, um poeta, um filósofo ou uma criança por debaixo do executivo poderoso e milionário... E que a partir deste menino ou artista, Schmidt tenha percebido que se nos ativermos somente aos computadores estaremos matando o que há de mais precioso em todos nós, a nossa humanidade. Quem sabe Schmidt (e antes dele Gates) não estavam protagonizando o papel de Morfeu e nos oferecendo a pílula vermelha...
Por João Luís de Almeida Machado

Ótimo texto...
ResponderExcluirrealmente as pessoas precisam se libertar um pouco..principalmente a "nova geração", que é fascinada pela internet..
um grande abraço!