Comunicação de Massa e a Educação: Relação possível?

No ano passado dei entrevista a um jornal sobre a questão dos meios de comunicação de massa e a educação em nosso país. Disponibilizo a seguir algumas das questões para ampliar o debate...

1. Os meios de comunicação de massa prejudicam a visibilidade da situação educacional do país?
JL – Pelo contrário, creio que há uma preocupação real por parte da mídia e até mesmo das autoridades relativamente à qualidade da educação no país. Educação virou tema constante nos jornais, nos noticiários da televisão, em campanhas nas rádios e, certamente, isso implica comprometimento não apenas com as escolas, os estudantes ou os professores – mas principalmente, com toda a comunidade, o país e o futuro da nação.

2. Qual o papel dos professores na inserção da TV nas escolas (como material didático)?
JL – O papel primordial dos educadores é, nesse caso, a apropriação dos recursos provenientes da produção televisiva – tanto os bons quanto os ruins – para análise, compreensão, preparação de aulas, utilização no espaço educacional. De posse desses produtos oriundos da TV, plenamente estudados e entendidos, cabe ao professor, de forma consciente e crítica, elaborar meios para que os mesmos sejam inseridos no debate escolar paralelamente aos livros, as aulas, a internet, a música, ao cinema,...

3. O que é considerado informações adequadas para crianças? Qual é a linguagem que exerce maior influência sobre esse público?
JL – Num primeiro momento cabe questionar o próprio conceito de “adequação”. Poderíamos de antemão classificar, por exemplo, que tudo aquilo que se relacionasse a violência, sexo, drogas ou intolerância e preconceito como temas não adequados para crianças. No entanto, os filtros que porventura criássemos na escola ou mesmo na família, não seriam suficientes para brecar ou impedir o contato com essas questões em outros ambientes, no contato com outras pessoas. Seria surreal e até mesmo uma violência criar as crianças em “bolhas” que as isolassem de tudo aquilo que a nossos olhos constituem riscos ou problemas. O que fazer então? Agir com bom senso, discutindo na comunidade escolar e nas famílias (e também entre os dois grupos) medidas que possam orientar os olhares sem produzir “vendas” ou “tapa-olhos” que impeçam os infantes de ter uma visão mais aberta do mundo real, aquele em que todos nós vivemos, imperfeito e com falhas ao mesmo tempo em que há virtudes e acertos.

4. Você concorda com as regras da classificação indicativa? Se sim ou não, por quê?
JL – Penso que a classificação indicativa é medida necessária, mas que isoladamente não se presta a nenhuma eficácia se não for entendida e utilizada pelas pessoas e comunidades em que estão inseridas. Ao dizer isso refiro-me ao fato de que esse sistema nada mais é que uma recomendação dada por especialistas quanto aos públicos aos quais se destinam tal e qual programação televisiva de acordo com a faixa etária dos mesmos e que, como tal, a sua utilização ou o respeito quanto a essa orientação não tem qualquer eficiência real se as pessoas não prestarem atenção ao mesmo como deveriam e, em especial, se elas não pensarem os programas e os motivos que os levaram a ter tal avaliação. Somente depois de tal ação é que seria possível orientar os olhares e dizer se é possível ou não respeitar ou desrespeitar a classificação...

5. O que é necessário para maior conscientização da sociedade a respeito da importância da classificação etária?
JL – Campanhas públicas esclarecendo o que significa a classificação etária e, principalmente, um trabalho de base nas escolas para que as crianças e os adolescentes saibam o que é, como funciona, porque existe e como se aplica tal sistema. Isso seria bastante efetivo para que tal intento pudesse ser bem sucedido entre as gerações atuais e, principalmente, com as futuras.

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