The Pixar Story - Lições de quem ama os desenhos animados
Assisti no último final de semana e recomendo a todos, não apenas as pessoas que curtem cinema ou especificamente as animações, o ótimo documentário "The Pixar Story". Através desta produção ficamos sabendo como foi a trajetória de uma das mais celebradas e respeitadas empresas que atuam no ramo de entretenimento no mundo de hoje. Algumas lições, no entanto, me pareceram tão fortes e poderosas que mereciam destaque através do Escolhendo a Pílula Vermelha. São elas:
1- John Lasseter, um dos responsáveis pelo sucesso da Pixar ao lado de Steve Jobs, sempre foi verdadeiramente apaixonado por desenhos animados e, a partir do momento em que descobriu que poderia ganhar a vida trabalhando com isso, não teve dúvidas, abraçou seu sonho. Partiu então para um curso, na Califórnia, nos anos 1970, em faculdade criada por Walt Disney. Seus professores? Os artistas que praticamente conceberam esta arte nas décadas anteriores, ou seja, os animadores da Disney, já veteranos, retirados de sua aposentadoria, para eternizar este trabalho. Estes professores foram responsáveis por clássicos como Pinóquio, Fantasia, Branca de Neve e os Sete Anões, Dumbo, Mógli... Entre as lições percebidas neste pequeno trecho que aqui relato, destacaria a valorização dos saberes dos experientes mestres e a paixão de Lasseter pelo trabalho que escolheu fazer ao longo de sua vida.
2- Não pensem que tudo foi fácil não... Durante os anos de estudo, Lasseter trabalhava nas épocas de férias na Disney, no início como varredor de ruas dos parques temáticos e depois como condutor do barco de uma das atrações... Aqui vale destacar que sempre começamos por baixo e que, desde que honesto, qualquer trabalho é digno e passível de nos legar saberes... Lasseter hoje dirige a Disney/Pixar e é responsável também pelos parques e novos brinquedos que lá existem...
3- Como resultado de estudos, aplicação e amor pelo trabalho, Lasseter foi premiado por seus dois primeiros curtas de animação, realizados ainda nos anos 1970 e, por conta deste já prematuro sucesso, conseguiu o emprego de seus sonhos, na fábrica de sonhos, ou seja, de novos desenhos animados, da Walt Disney.
4- No início dos anos 1980, as animações passavam por uma entressafra, com queda nas bilheterias e perda de interesse do público. Na mesma época, os estúdios Disney lançaram o filme "Tron", que foi o primeiro a trabalhar com efeitos digitalizados, criados por computadores. Lasseter percebeu que o futuro estava nestas tecnologias e decidiu investir numa animação que utilizasse também estes recursos (além dos tradicionais). Visão de futuro e capacidade de empreender então são os marcos deste ponto da história...
5- Ao mostrar a animação que surgiu para o então presidente da Disney, Lasseter foi questionado quanto aos custos e tempo de produção. Ao dizer que eram praticamente os mesmos das animações tradicionais, escutou que este trabalho então não interessava aos Estúdios Disney. Ao voltar para sua sala, menos de 10 minutos depois deste fato, recebeu um telefonema de seu chefe imediato e foi comunicado de sua demissão... Estava além de seu tempo e não foi compreendido...
6- Não desistiu e chegou a conclusão de que animações digitalizadas eram mesmo o futuro. Associou-se a engenheiros, arquitetos, técnicos e contou com o aporte de recursos por parte do visionário empreendedor Steve Jobs, da Apple. Antes disso, alguns de seus parceiros trabalharam com o mago George Lucas (da série Star Wars), na Industrial Light and Magic, onde foram concebidos importantes avanços tecnológicos para a produção em cinema, inclusive para trabalho com computadores... Associou-se as pessoas certas que, como ele, também acreditaram nas possibilidades das animações criadas em computadores... Juntou forças com outros especialistas, conhecedores de outras técnicas e equipamentos...
7- Durante os primeiros anos a firma não deu lucros, apenas contabilizou gastos, o que poderia levar Jobs a deixar de investir na Pixar. A persistência e confiança do mago da Apple fez com que a Pixar evoluísse e conseguisse chegar no seu primeiro grande sucesso, o longa-metragem de animação computadorizada, "Toy Story" e pudesse partir para todos os demais hits por ela produzidos (Carros, Os Incríveis, Procurando Nemo...).
8- O sucesso da Pixar não cegou os realizadores e nem tampouco, engessou o trabalho na empresa, cada novo projeto é desafio diferente do anterior e, neste caminho, novas técnicas, recursos, idéias, pessoas, histórias e possibilidades surgem...
9- O advento das técnicas de animação computadorizada colocaram o mercado de animações em alta no mundo inteiro e a Pixar se associou com a Disney, com Lasseter sendo contratado para gerir a empresa de Uncle Walt anos depois de ter sido demitido por suas idéias inovadoras, que não foram compreendidas pelos então gestores da Disney...
10- A animação computadorizada quase sepultou as técnicas tradicionais de produção de desenhos animados e, isto grandemente em função do sucesso da Pixar e de outras companhias que seguiram seus passos... A Disney fez planos de fechar seus estúdios de animação... Os executivos da Pixar decidiram, então, investir também em animações produzidas com técnicas convencionais para preservar esta arte, acreditando que há espaço tanto para animações computadorizadas quanto para as desenhadas a mão por grandes artistas... O que vende ingressos e pipoca não são exatamente as técnicas, mas as grandes histórias contadas na tela, acreditam todos que trabalham na Pixar (Com o que concordo em grau, número e gênero).
Obs. No início desta postagem segue o vídeo da animação Geri's Game, curta premiado com o Oscar, da Pixar, é claro!
Por João Luís de Almeida Machado

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