Flor sem espinhos...

Outro dia li que cientistas queriam criar rabanetes e brócolis com sabor de chocolate ou ainda cenoura que se parecesse com sorvete ou iogurte de morango quando fosse saboreada. O objetivo? Fazer com que as crianças comessem mais legumes e verduras, essenciais para o crescimento sadio. Não sei mais dizer se a atitude é louvável (por conta daquilo que pretende atingir, ou seja, crianças comendo mais alimentos desta natureza) ou reprovável, se levarmos em conta que isto representa alterações genéticas nestes vegetais...
Independente da questão dos transgênicos ou mesmo do lado moral da ação descrita acima, fico pensando que a meta logo vai ser criar flor sem espinhos... Estranho isso, não é mesmo, mas as pessoas cada vez mais querem viver uma existência próxima da perfeição, sem dor, ressentimentos, desentendimentos ou qualquer tipo de desavença e sofrimento...
E qual a beleza da rosa sem espinhos? Como atingir todo o seu esplendor sem que ao longo do caminho encontremos em nossas existências os momentos difíceis pelos quais temos que necessariamente passar?
Como sou professor costumo dizer que aprendemos muito quando erramos, talvez até mais do que se simplesmente memorizamos ou corporificamos um novo saber. Ao errar somos obrigados a rever nosso pensamento, a refazer nossa trilha, a reconduzir nosso raciocínio, fazendo-o andar por locais e idéias pelas quais ainda não havíamos passado antes...
Mas a humanidade parece pouco disposta a refazer caminhos... O tempo anda curto demais... E atualmente, mais do que nunca, tempo é dinheiro para a maioria das pessoas que conheço...
Isto faz com que diferenças entre amigos e irmãos, entre maridos e esposas, entre colegas de trabalho, por exemplo, sejam sempre colocadas em segundo plano, o mais importante é a produtividade e o trabalho, o lucro e o saldo do banco... Não estou com isso desmerecendo o esforço de ninguém e, tampouco, dizendo que o trabalho não é importante...
Apenas ressaltando a necessidade dos espinhos e também da rosa e de todas as flores, ou seja, da necessidade de entendermos porque tais espinhos foram ali colocados, ao longo do caule, como proteção ou pedra no caminho, que ajudam a tornar tal flor mais forte e resistente as intempéries da vida, preservando-a e permitindo que sua beleza e fragrância sejam sentidos por mais e mais pessoas e por período de tempo mais longo...
Que sejamos capazes de entender que o amargor dos remédios, as pedras no caminho e os espinhos das flores é que tornam a nossa jornada por esta existência mais digna, bela e valiosa!
Por João Luís de Almeida Machado

Olá, doutor João Luís:
ResponderExcluirConcordo com o senhor e, acredito, que as "facilidades" não são tão boas quanto pode parecer à primeira vista. Quando conquistamos algo belo e agradável, os espinhos vão nos fazer lembrar que somos imortais, imperfeitos... Há pessoas que fogem das dificuldades, mas há aquelas que as enfrentam, estas últimas receberão melhor paga pelo seu esforço.
Um grande abraço.
Erika Bueno.