As Cirurgias Plásticas e nossa auto-estima

Imagem do filme "A Outra Face", de John Woo,
com John Travolta e Nicolas Cage, em que por
meio de cirúrgias plásticas eles trocam de rosto...

Vi matéria, esta semana, num jornal da televisão, que dizia ser o Brasil um dos países onde se realizam mais cirurgias plásticas em todo o mundo. Se me recordo bem, os números anuais estão na faixa das 600 a 700 mil intervenções cirúrgicas/ano. E a maioria esmagadora de plásticas realizadas é motivada por razões estéticas ou, para ser mais objetivo, porque as pessoas querem melhorar algo nelas mesmas...

Ou pensam que o nariz é grande demais, ou que as orelhas de abano atrapalham seu visual, ainda há aqueles que imaginam ser sua “barriguinha” saliente um tanto quanto inadequada para sua imagem aos olhos dos outros... Para que se sintam bem, então, encaram os bisturis, pagam contas que são relativamente salgadas (de acordo com o saldo bancário de cada um e dos médicos e hospitais onde serão realizadas estas cirurgias) e partem em busca de seu novo “eu”, remodelado pela ação da medicina moderna, que faz verdadeiros milagres (e que, por vezes, realiza autênticos e irremediáveis desastres).

Acho justo que as pessoas queiram se sentir melhor e que se submetam a cirurgias, mas vi nesta matéria e nos números mencionados que a auto-estima está um tanto quanto baixa entre muitos destes pacientes que se submetem as plásticas e demais práticas que promete lhes melhorar a aparência... Parece que há gente demais que gosta menos de si do que deveria e que, para ficar melhor aos olhos de outros, prefere ir para a mesa de cirurgia...

Há ainda a questão da forma como as demais pessoas nos avaliam e como isto é fator importante, a opinião alheia, para tanta gente... Nestes casos mais extremos, parece até que esta visão externa, de terceiros, pesa mais do que o que os próprios indivíduos pensam sobre si...

Todo mundo quer ser mais belo, prolongar a juventude, ampliar suas possibilidades sociais pela aparência, buscando formatos e fórmulas que se adequem a demanda da sociedade. Isto é deveras preocupante se pensarmos que tal demanda, de tão poderosa, atinge até mesmo adolescentes e jovens, que insatisfeitos com seus corpos (e rostos), partem também – muito precocemente – para as mesas de cirurgia!

E os números, que são expressivos, mas que para muitos podem não parecer tão alarmantes, merecem atenção. Pensem bem, se a média anual é de 600 a 700 mil pessoas, teremos um contingente de aproximadamente 6 a 7 milhões de pessoas que em dez anos passaram por cirurgias plásticas e, como dissemos, a maioria por questões estéticas... Levando-se em consideração também que estes números não são estáticos e que estão em elevação... É como se a população de uma cidade como o Rio de Janeiro, toda ela, passasse por estas intervenções cirúrgicas...

Mais do que a aparência, o que está muitas vezes em jogo é a própria auto-estima destas pessoas... E é aí que mora o perigo... Não é mesmo?

Por João Luís de Almeida Machado

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