Natal: A maior festa cristã do mundo


Estamos às vésperas do Natal. As luzes acesas nas ruas, casas e apartamentos das cidades revelam que a maior celebração cristã do mundo está acontecendo. Alegres e festivos lares que têm suas mesas decoradas e fartas, as árvores enfeitadas com bolas coloridas e enfeites que lembram o nascimento de Cristo. Crianças ansiosas a esperar a chegada dos presentes pelos quais tanto esperaram durante todo o ano. Adultos a brindar as realizações pessoais e profissionais do ano e orar pela chegada de um período ainda mais promissor...

Você não acredita mais em Papai Noel? Não consegue ouvir os guizos de Natal a tilintar na véspera do nascimento de Jesus Cristo? É muito provável que você tenha crescido demais. Que tenha ultrapassado não só a barreira cronológica da infância, mas que tenha sufocado a criança que deveria existir dentro de você. O que acha de reencontrar toda a graça, felicidade e satisfação que existe nessa mágica época do ano?

Mas o que é o Natal? O que ele significa? Quais são suas origens? Que representações existem e devem ser consideradas enquanto abrimos presentes e dividimos a mesa farta com nossos familiares e amigos?

Natal é tempo de bondade. É um período em que as pessoas se sentem mais motivadas a estender suas mãos aos outros e lhes mostrar toda a sua generosidade e simpatia. E é justamente nesse ponto que entendemos que a mensagem de Cristo incorpora-se ao cotidiano das pessoas através de ações e sentimentos.

Amar ao próximo como a si mesmo não é só um belo pensamento, representa toda uma filosofia de vida. Supera o simples sentido das palavras ao se revelar no Natal em doações de tempo, carinho, atenção ou mesmo alimentos e brinquedos.

Muitas das tradições do Natal surgiram antes do nascimento de Cristo. Práticas como a de dar presentes, entoar cantigas indo de casa em casa (muito comum nos Estados Unidos), a realização de ceias e as próprias procissões religiosas são tão antigas quanto à civilização mesopotâmica.

Alguns povos da Mesopotâmia, por exemplo, acreditavam que seus deuses (entre os quais o principal era Marduk) lutavam contra as forças do Caos. Para auxiliá-los no confronto com o Mal, realizavam festas que duravam aproximadamente 12 dias, justamente na virada do ano, período que coincide com a época do Natal.

Festas semelhantes também eram realizadas na Babilônia e na Pérsia. A troca de papéis entre escravos e senhores era parte comum dessas festividades. Isso nos leva a lembrar a cerimônia da lavagem dos pés realizada por Jesus e seu compromisso com os pobres e humildes.

Acender fogueiras e reunir familiares e membros da comunidade ao redor das mesmas para espantar os maus espíritos era, por sua vez, prática comum entre os povos da Escandinávia. Um dos símbolos dessa celebração consistia na prática de amarrar maçãs às árvores próximas do local onde se acendiam as fogueiras. Talvez esse seja o 'ancestral' mais distante daquilo que hoje conhecemos como árvore de Natal.

A reminiscência mais aproximada das festividades do Natal cristão, de acordo com estudiosos é, no entanto, a festa romana conhecida como Saturnália. Essa proximidade se dá por conta da época do ano em que era realizada (entre o final do mês de dezembro e os primeiros dias de janeiro). Essa festa incluía grandes refeições, visitas a parentes e amigos e a troca de presentes. Além disso, os romanos decoravam árvores com velas acessas e faziam guirlandas para enfeitar suas casas.

Uma das datas mais celebradas ao redor do mundo, o dia 25 de dezembro, não é, de acordo com estudiosos, aquela em que realmente nasceu Jesus Cristo. Uma das evidências utilizadas para explicar esse fato está nos relatos de Lucas, da própria Bíblia. Por eles ficamos sabendo que pastores estavam trabalhando nos campos durante a noite em que Jesus nasceu. Ao identificarem as condições climáticas da região onde ocorreu o nascimento de Cristo e perceberem que no mês de dezembro faz muito frio durante as noites, esses pesquisadores concluíram que seria pouco provável que os pastores estivessem fora de suas casas, desabrigados. O mais provável, de acordo com esses estudos, é que o nascimento de Jesus tenha ocorrido entre março e maio.

Outra polêmica diz respeito ao ano de nascimento de Cristo. Há controvérsias entre os historiadores. A única certeza é que o advento do messias cristão não se deu no ano I como acreditam milhões de fiéis ao redor do planeta. Os estudiosos fixam como data mais provável para esse acontecimento algum período entre os anos VI e IV a.C.

A figura conhecida mundialmente como Papai Noel (ou Santa Claus, em inglês) tem como base um bispo do século IV, Nicolas de Mira (atual Turquia), reconhecido por sua extrema bondade e carinho, especialmente pelas crianças. Através de suas práticas de ajudar os menos favorecidos e de doar seu tempo através de ações que beneficiavam a todos, sempre com boa vontade, acabou cunhando o modelo que todos nós atualmente reconhecemos através de cartões, publicidade, televisão, cinema.

A versão americana do Papai Noel, importada da Europa, seria derivada de uma lenda holandesa, trazida para o Novo Continente pelos colonos que se estabeleceram em Nova York ainda no século XVII. A consolidação dessa imagem se deu, porém, somente a partir do século XIX, com a publicação do poema "The Night Before Christmas" (A Noite Antes do Natal), de autoria de Washington Irving.

A imagem do bom velhinho conhecida por todos foi finalmente popularizada em todo o mundo a partir de um modelo criado na segunda metade do século XIX pelo desenhista Thomas Nast, da revista Harper's. Foi ele quem deu vida, através de seus desenhos, à oficina de Papai Noel no Pólo Norte. Os modelos que conhecemos atualmente derivam de seus trabalhos e foram francamente influenciados por versões criadas na década de 1930 para ilustrar propagandas.

Por João Luís Almeida Machado

Comentários

  1. Também o solstício do inverno, quando se fazia agradecimento aos deuses pendurando frutos das colheitas nas árvores, como vc citou, (agora as árvores de natal)
    Para os povos antigos solstícios e equinócios eram datas marcantes,sempre celebradas, pq mudanças de estação eram mudanças do mode de viver.

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