Computadores não melhoram a qualidade da educação
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- "Não há nenhuma prova de que o uso de computadores na escola primária melhora a qualidade da educação, assim como não há nenhum fundamento na idéia tantas vezes divulgada de que o projeto denominado Um Laptop por Criança (OLPC, na sigla em inglês) possa fazer uma revolução no ensino. É puro modismo" (Nicholas Carr, escritor e especialista em Tecnologias da Informação em entrevista ao Estado de São Paulo)
Pode parecer polêmico, ainda mais com tanta ênfase que vem sendo dada nas escolas ao uso dos computadores, em qualquer nível de ensino, não é mesmo? Nicholas Carr é uma das maiores autoridades mundiais no exame e estudo aprofundado das tecnologias aplicadas ao uso humano, inclusive à educação. Provocou muito barulho ao publicar em 2008 artigo em que dizia que o Google está tornando as pessoas estúpidas. Lançou alguns livros, entre os quais o mais recente, "A Grande Mudança - Reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google", o qual tive a oportunidade de ler e lhes garanto, é um documento qualificado sobre os rumos do mundo hoje e as mudanças pelas quais estamos passando.
Mas, voltando a apreciação inicial deste breve texto, ao ler esta afirmação de Carr, de imediato me lembrei de várias ocasiões em que, falando sobre tecnologias aplicadas a educação para grupos de professores, durante eventos em que ministrava palestras ou oficinas, destaquei a importância das tecnologias para as escolas a partir deste século XXI. Disse-lhes que é irreversível o caminho da escola (atrasada em relação a sociedade como um todo) quanto ao uso de computadores e redes, especialmente a Internet. Agora, em todos os casos, tive sempre a preocupação de dizer que o computador e a web, a despeito de todas as suas funcionalidades e possibilidades, não é a "salvação da lavoura", literalmente falando, para chegarmos a tão sonhada educação de qualidade...
Certamente, como ferramenta, reforça nossas possibilidades, mas é assim que deve, inclusive ser entendido qualquer novo instrumento tecnológico trazido para o âmbito escolar (e para todas as outras instâncias de atuação humana), ou seja, como mais uma ferramenta. O próprio Carr destaca isto ao afirmar que há (muitos) pais e professores achando que a revolução para a formação de seus filhos está nos computadores e que, nestes casos, é preciso alertá-los que o caminho não é bem este...
A formação integral, capacitadora, emancipadora, reflexiva e capaz de realmente introduzir qualquer indivíduo ao mundo em que vivemos passa também pelo domínio e compreensão das possiblidades dos computadores e da web, mas é preciso que as crianças, adolescentes e jovens constituam seu aprendizado utilizando-se de todos os meios e recursos disponíveis, não apenas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Neste sentido é imperativo que leiam, assistam filmes, escutem músicas, realizem viagens, conversem e escutem outras pessoas, descubram novas realidades... Ou seja, colocar a mão na massa e ter acesso a todos os tipos possíveis de fomentos culturais é de suma importância.
Falando sobre seu artigo relativo ao fato de que o Google estaria nos fazendo ficar estúpidos, Carr esclareceu tal idéia dizendo que na realidade é "o uso excessivo da internet e, em especial do Google, (que) está tornando as pessoas mais estúpidas" e que, no final das contas, isto é decorrência da "perda da capacidade de reflexão" pela falta de outras leituras (como jornais e revistas, por exemplo).
A capacidade de refletir fica abalada, é preciso completar, quando há exposição excessiva as Tecnologias, não apenas pela simples exposição, mas pelo fato de que usamos as redes e as máquinas nelas conectadas num contexto de grande velocidade, migrando de páginas (sites, blogs, portais, redes sociais...) tão rapidamente, que não nos damos o tempo de ler, compreender, assimilar, refletir, comparar e, até mesmo, de nos posicionarmos quanto a torrente de informações que estamos recebendo... Com os livros, por exemplo, a dinâmica é outra... E o problema reside no fato de que estamos lendo menos fora da web e que, mesmo quando realizamos estas leituras extra-internet, por conta de nossa exposição excessiva as tecnologias, queremos que tal ação seja semelhante a de quando estamos on-line, ou seja, rápida...
É o que tenho constatado pessoalmente, não apenas por exemplos externos, mas por mim mesmo, chegou a declar Carr, com o que concordo em grau número e gênero, pois sinto que tais mudanças também chegaram para mim... Por conta disto, tenho sempre a preocupação de me dar o tempo necessário para outras vivências, extra-internet...
A propósito disto, para encerrar, fala constante em minhas apresentações, costumo dizer que tanto hoje quanto no futuro, quem faz e irá cada vez mais fazer a diferença, é quem utiliza estes outros caminhos para compreender o mundo em que vive - alimentando-se não apenas da informação rápida das tecnologias e de suas redes - mas daquilo que é sensorial, externo, captado pela leitura de mundo (de mestre Paulo Freire), constituída no contato com a natureza, outros homens e mulheres...
Por João Luís de Almeida Machado

Discordo das afirmacoes de Carr, pois a Internet hoje é um dos únicos meios de comunicacao que permite o raciocício perante a notícia sem opinioes formadas pela fonte, e além disso a comunicacao entre os leitores. Comprar uma revista comprada, com opinioes formadas de direita ou esquerda, sim torna a populacao ignorante.
ResponderExcluirMinhas discordâncias podem ser lidas aqui: http://dvilardo.blogspot.com/
ResponderExcluirSe você quiser continuar o papo depois de me ler, será um prazer.
É um papo estimulante e necessário.
Um abraço