Sobre Classes Sociais...

 
No sistema capitalista o elemento que define a divisão social, diferentemente daquilo que acontecia, por exemplo, na Idade Moderna (séculos XV a XVIII), deixou de ser a origem social e familiar, e passou a ser a possibilidade econômico-financeira das pessoas. A ascensão da burguesia formalizou o capital (K) como o elemento que caracteriza socialmente o que cada um de nós representa no contexto em que vivemos. E quando falamos em capital (K), nos referimos ao conjunto de bens e posses que permite a um ou mais indivíduos, ao transformar estes recursos em dinheiro, se perceber e inserir no tecido social como pessoa reconhecida, identificada e ativa.

A sociedade de classes contemporânea é, portanto, definida a partir dos rendimentos obtidos por cada pessoa, dentro de um prazo padrão (mês, trimestre, semestre, ano) que, comparados com os ganhos médios dos demais cidadãos de um país, permitem classificá-lo como pertencente a um substrato social. 

No Brasil, como em outras nações, as classes são identificadas por letras (A, B, C, D e E). Cada letra corresponde a um nível de rendimentos, calculados sempre a partir de médias nacionais. A Classe média, por excelência é a C, não apenas por estar justamente posicionada entre as demais letras que compõem esta escala, mas por concentrar aquele que seria o padrão médio de rendimento de toda uma nação. No Brasil, de acordo com dados recentes, divulgados em entrevista do sociólogo Bolivar Lamounier, a classe C já corresponde a quase metade da população brasileira (49%) e tem rendimentos entre R$ 1.100,00 e R$ 4.800,00.

As classes A e E constituem os grupos extremos desta escala social sendo, respectivamente, os grupos em que se encontram as pessoas mais ricas e mais pobres de um país. No caso das classes B e D, representam, por sua vez, grupos intermediários entre o população classe média e a rica (classe B) e entre os mais pobres e a classe média propriamente dita (classe D), constituindo portanto grupos ascendentes mas que ainda não atingiram o próximo degrau da escala social.

A classificação marxista que estabelecia a divisão da sociedade entre capitalistas (ou burgueses) e trabalhadores (o proletariado) - identificados, respectivamente, como proprietarios dos meios de produção e vendedores de sua força de trabalho (a única riqueza que possuem) - com a complexidade maior das sociedades do século XX e XXI, estão diluídos entre praticamente todas as classes sociais - de A a E. 

O que quero dizer com isso? Que há assalariados tão bem pagos que estão na classe E e, também, empreendedores, ou seja, donos de seus próprios negócios, que estão na D, por exemplo. Altos executivos que recebem pagamento mensal, sendo portanto assalariados, podem estar na classe A. Donos de carrinhos de pipoca ou de cachorro-quente, por outro lado, pequenos empresários, podem estar na C ou na D. É pouco provável, por outro lado, que na Classe E encontremos pessoas com trabalho formal e, ainda menos, que entre eles, exista algum empreendedor...

Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

Postagens mais visitadas