10 Receitas das Escolas Campeãs do ENEM 2009

ENEM significa Exame Nacional do Ensino Médio. Criado há alguns anos pelo governo federal, avalia os estudantes brasileiros que estudam no Ensino Médio e, a partir dos dados obtidos com esta avaliação, aufere também o rendimento e a qualidade das escolas do segmento. Está se tornando, desde de 2009, no principal exame utilizado para que os estudantes do Brasil ingressem em universidades, em especial nas mais concorridas, as públicas (federais, estaduais e municipais). 

Entendido isso, fica mais fácil perceber a amplitude e importância que tal avaliação confere ao Ensino Médio do Brasil. Nesta faixa de ensino, os estudantes migraram da infância para a adolescência, porta de entrada para a juventude e a idade adulta. A formação torna-se mais complexa e abstrata, abrangendo uma maior quantidade de disciplinas e áreas do conhecimento. O currículo, nos conformes do MEC passa a estruturar-se com base em habilidades e competências a serem construídas partindo-se das seguintes áreas do conhecimento: Ciências Humanas, Códigos e Linguagens, Ciências da Natureza e Matemática.

Na faixa etária trabalhada no Ensino Médio vislumbram-se não apenas os conhecimentos teóricos e técnicos de cada disciplina inserida nas referidas áreas do conhecimento. Há igualmente a proposição da formação do cidadão e do futuro trabalhador. Isto infere que os saberes trabalhados preparam para a vida em sociedade numa época de grandes transformações vivenciadas pelo público-alvo (adolescentes) e que, o sucesso desta ação está relacionado a vários fatores, entre os quais, destaque para os seguintes, conforme observado nas escolas que estão no topo do ranking do ENEM:

1- Projeto Pedagógico estabelecido, claro quanto as suas proposições, determinado internamente como instrumento de trabalho que orienta aos profissionais que atuam na escola, de conhecimento público (alunos, pais e comunidade). Cada escola examina e estipula, com base nos valores que norteiam sua prática e proposição, o pensamento político-pedagógico que irá nortear sua ação. Para tanto, precisa compreender a linha escolhida, torná-la corrente entre seus funcionários (sem que existam no seio da equipe as discordâncias que podem minar o projeto), trabalhar seu estudo, pesquisa e aplicação. Igualmente fundamental é que a comunidade conheça, compreenda e apóie.

2- Seleção, acompanhamento, estímulo e valorização de corpo docente. Os profissionais da educação que têm melhor formação, mais experiência, resultados consistentes, bom relacionamento com os estudantes, capacidade reconhecida de comunicação e apresentação dos saberes de suas áreas de especialização e reconhecida e bem-sucedida didática valem, literalmente, ouro. São eles que estão fazendo a diferença dia após dia nas salas de aula das escolas mais bem avaliadas no ENEM.

3- Acompanhamento dos alunos por parte da escola e constante comunicação com a família. Os pais são parceiros importantes da escola e de seus filhos. Devem ser sempre informados do andamento das ações pedagógicas, dos eventos da escola, da evolução do(s) filho(s). Tem o direito de ter acesso a informação e, mais do que isso, de participar opiniões, dúvidas, queixas, problemas, elogios, sugestões e tudo o que lhes aprouver e estiver relacionado a escola e educação do(s) filho(s).

4- A estrutura física e material da escola deve ser adequada e o mais completa possível para oferecer aos alunos ambiente propício, estimulador e apropriado aos estudos. Isto inclue desde as salas de aula (limpas, arejadas, claras, com carteiras que melhorem a postura e materiais necessários para as aulas sempre disponíveis), os laboratórios de ciências e informática (equipados com máquinas, tabelas, quadros, recursos descartáveis, tomadas, metais...), as quadras esportivas, salas de vídeo, bibliotecas (atualizadas sempre)...

5- A orientação educacional e a coordenação pedagógica precisam estar atentas aos alunos e devem ajudá-los a realizar planos de estudo, orientar quanto as tarefas, ajudar na escolha profissional, facilitar a relação e comunicação com pais e professores, estimular o uso dos recursos oferecidos pela escola...

6- As escolas devem ter eventos internos e estimular ações externas que componham e facilitem a compreensão dos conteúdos e saberes trabalhados pelas disciplinas ao mesmo tempo em que, através destas, precisa ter foco nas relações interpessoais desenvolvidas no âmbito escolar. Visitas a museus, ida ao teatro ou cinema, conversas com profissionais, excursões para mostras científicas, participações em gincanas culturais, passeios ciclísticos, ações culturais internas, excursões para fábricas e universidades... Tudo isso mobiliza o intelecto, leva os alunos a se relacionar melhor, permite a eles conhecer e "linkar" o mundo extra-escolar com os estudos e, de quebra, melhora a percepção e a relação destes estudantes com a instituição e os professores.

7- Ações de apoio aos alunos que tem dificuldades em certas disciplinas, como plantões e revisões de matérias em horários alternativos também são importantes e demonstram como a escola se preocupa em sempre dar mais subsídios e oportunidades de aprendizagem a seus estudantes.

8- Escolas "antenadas" com a realidade, ou seja, ligadas ao que acontece no Brasil e no mundo, estimulam a leitura e discussão de jornais, revistas, notícias divulgadas na internet, na TV ou no rádio. Colocam em pauta nas aulas o uso de músicas, poesias, quadrinhos, filmes... Montam grupos de discussão e trabalho coletivo em horários alternativos. Estimulam e propõem a leitura de livros e os clubes de livros e filmes em suas dependências e disciplinas ministradas.

9- Avaliações e trabalhos constantes são importantíssimos. Não há como escapar disso. A prática conduz a perfeição. Exercícios de matemática, composição de textos, leituras de textos, filmes assistidos para compor argumentos... Provas regulares, avaliações orais, testes-surpresa e ainda os simulados são recursos dos quais não há como abrir mão...

10- Utilizar pedagogicamente as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), ou sejam, os computadores e a internet. Orientando os alunos quanto aos caminhos e canais, meios de trabalho com materiais obtidos na web, produção de textos e vídeos (além de gravações em áudio), criação de blogs, uso do Twitter e de outras redes sociais... Tudo isso pode e deve ser usado como recurso de apoio, no entanto, sempre com supervisão, orientação e foco pedagógicos...

Trabalho árduo pela frente, não é mesmo? Mas, para chegar lá, as pedras do caminho terão que ser superadas, senão não será possível melhorar...

Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

Postagens mais visitadas