Educação: Teorias, Referências, Problemas e Sonhos...


Educação é direito e elemento fundamental para a consolidação da democracia, cidadania, ética, politização, desenvolvimento sustentável e consciência crítica. A leitura do mundo preconizada por Paulo Freire mais que um sonho, é uma necessidade. O Brasil tem 10% de analfabetos e 21% de analfabetos funcionais em sua população, de acordo com recentes dados divulgados através do Pnad (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio), pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente ao ano de 2009. Na entrevista abaixo, o professor João Luís de Almeida Machado, Doutor em Educação pela PUC-SP, que recentemente lançou o livro "O Prazer de Aprender a Aprender" (Editora Multifoco) aborda algumas temáticas relacionadas a educação a partir de sua experiência e prática de mais de 25 anos como educador. 

1- Sabe-se da existência de grandes pedagogias, como a de Paulo Freire, Montessori e Piaget. Você se apóia em alguma pedagogia já existente ou criou um método só seu?
JL - Seria muita pretensão da minha parte dizer que criei algum método ou que posso me equiparar aos gigantes da educação que foram mencionados por vocês. Tenho neles as referências para o desenvolvimento das minhas ações, aprendi muito com seus trabalhos e teorias, bebo destas fontes com grande constância. Acredito muito e ando pelas linhas de Paulo Freire, Michael Apple, Jean Piaget, Lev Vigotsky, John Dewey... Sou igualmente grato a todos os mestres com os quais tive a oportunidade de ter contato e de quem sempre me lembro com carinho das aulas, da humildade e da grandeza, como meu orientador Fernando José de Almeida, por exemplo.

2- Para você, qual é a maior falha no campo da Educação?
JL - Temos vários problemas sérios com os quais nos defrontamos na educação brasileira atualmente. A infra-estrutura física de várias escolas precisa ser atualizada e reformada, os salários e demais condições de trabalho dos professores não são justos e adequados pela enorme responsabilidade que tem quanto a vida das pessoas com as quais trabalham e o futuro da nação, é preciso criar políticas públicas na área que sejam mais consistentes e duradouras, incentivar programas de leitura, preparar os educadores para o uso das novas tecnologias, melhorar a qualidade dos cursos de formação dos novos professores...

3- Como mudar a realidade em sala de aula onde prevalece a teoria e o conteudismo, quando já se tem o conhecimento de que só isso não é o suficiente?
JL - É preciso diversificar a escola e entender que a aprendizagem pode, deve e acontece não apenas entre quatro paredes. Ampliar o conceito de educação incorporando a ele ações que unam teoria e prática. Para isso, a escola deveria promover trabalhos mais frequentes nos laboratórios de ciências, bibliotecas, salas de informática e áreas externas (como quadras de esporte e até mesmo fomentar o surgimento de hortas, por exemplo), no tocante a ações dentro de seus limites físicos mas extrapolando a sala de aula. Sair da escola, indo a locais públicos, para ter contato com a vida lá fora, nos mercados, câmaras municipais, museus, teatros, cinemas, exposições, fazendo pesquisas de campo, entre outras ações, são igualmente ações que podem fazer com que se supere o conteudismo e a escola se torne mais dinâmica, interessante e instigante, promovendo ainda mais a aprendizagem.

4- Qual é o seu maior sonho como educador?
JL - Que os estudantes com os quais trabalho, ainda que durante períodos de tempo breves, se tornem cidadãos altivos, participativos, politicamente engajados, protagonistas de suas vidas e da construção da história de nosso país e do mundo. Que possam formar suas famílias, contribuir para o crescimento do país com seu trabalho, sendo honestos, íntegros, éticos. Que consigam ser felizes e realizados ao longo de suas existências. Que possam dormir o sono dos justos por saberem ter feito o melhor por um planeta mais digno não somente para eles, mas para todos nós!

Trecho de Entrevista concedida as alunas Regiane Aparecida de Abreu, Sara Maria Freitas Silveira, Selma Marinalva dos Santos e Sílvia Roberta de Almeida Vasconcellos, do curso de Pedagogia, da Faculdade Bilac, estabelecida em São José dos Campos.

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