Manifesto pela preservação das praias brasileiras
| Praia de Maresias, Município de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo (Clique na imagem para ampliar) |
Um dos maiores motivos de orgulho dos brasileiros são as praias que se estendem em nosso litoral, de norte a sul do país. Temos certamente um patrimônio natural de valor inestimável em todas as regiões. Além dos privilegiados moradores das cidades litorâneas, todos os finais de semana, sem exceção, com especial destaque para os feriados prolongados, inúmeros outros se aventuram a por o pé na estrada em direção ao mar, para se deliciar numa dessas maravilhosas praias.
Morei em São Sebastião, litoral norte paulista, por mais de 10 anos. Estive vivendo lá em diferentes fases de minha vida. Minha infância foi nesta bela cidade e, alguns anos mais tarde, já casado, voltei a residir no mesmo município e pude novamente aproveitar as praias locais. Tenho parentes que moram ou possuem casas em cidades praianas e, regularmente estamos visitando-os e usufruindo das belezas naturais locais, tomando um bom banho de mar, de olho na Mata Atlântica que ainda está presente na paisagem dos morros dali.
Em nossa última viagem, num final de semana prolongado, realizamos caminhadas na praia, além dos costumeiros banhos de mar, ao final do dia. Como o movimento sempre é maior que o usual, notamos que os visitantes continuam deixando lixo ao longo das praias. Se não é uma quantidade alarmante, ainda assim, com a subida das marés, há o risco destes resíduos irem parar nos oceanos e...
Embalagens plásticas, conforme comprovam pesquisas e imagens que circulam em todo o mundo, têm causado a morte de uma expressiva quantidade de animais marinhos.
Lixo orgânico suja os oceanos, deixa a orla marítima imprópria para banhos, contamina a água, ameaça espécies marinhas, impede o uso das praias pelas próprias pessoas que as poluem e por todas aquelas que procuram respeitar o meio ambiente.
Fezes e urina de humanos e cães são perigosos para a saúde, causam mau cheiro, contaminam as águas e tornam o que é um ambiente belo, agradável e propício para o lazer e o descanso, local que acaba sendo evitado por moradores e turistas.
Lixo de toda a espécie, como papel, papelão, madeira, isopor, plásticos e metais demoram muito tempo para se decompor, variando numa escala de tempo que varia de algumas semanas a muitos anos, décadas até, ou seja, se as pessoas não jogarem os detritos no lixo e em locais apropriados, é pouco provável que tenhamos nossas praias limpas.
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| Tempo Médio de Decomposição de resíduos lançados pelo homem na natureza (Clique na imagem para ampliar) |
O movimento que percebemos, das chamadas operações limpeza de praia, ocorrem no período de férias escolares e também em finais de semana prolongados. Infelizmente não atinge todos os municípios e praias. Por isso mesmo, sua eficácia é reduzida diante do quadro percebido e a situação, ao invés de melhorar, se mantém em níveis preocupantes ou, em certos casos, conforme noticiado em reportagens veiculadas pela mídia, até piora.
Realizar os mutirões de limpeza é importante. Continuar com estas ações é mais do que válido. Ampliá-las é fundamental.
No entanto, acima de tudo, o melhor a se fazer é conscientizar a população a jogar o lixo na lata de lixo e, de preferência instalar em praias de todo o país, a coleta seletiva dos recursos, com a separação dos detritos de acordo com a matéria-prima básica de sua confecção, para que a colaboração com a defesa do meio-ambiente seja ainda maior.
Seria aconselhável, inclusive, com a coleta seletiva sendo instalada, que parte do dinheiro obtido na venda dos resíduos fosse aplicado na manutenção das praias e no plantio de árvores nativas da Mata Atlântica, garantindo assim a retomada da vegetação original e a preservação de espécies nativas.
A educação ambiental poderia ser enfocada e enfatizada em nossos currículos educacionais, tendo especial destaque em aulas de ciências e biologia, por exemplo, como parte dos conhecimentos a serem trabalhados e destacados todos os anos. Em cidades de praia ou com parques nacionais e vegetação densa em seu entorno, tal ensino devotado a proteção do ambiente poderia ocasionar ações regulares de limpeza e manutenção das áreas de grande visitação pública.
Não apenas os moradores locais, em especial as crianças, adolescentes e jovens poderiam ser estimulados a ajudar na limpeza e manutenção do meio-ambiente, mas também orientar, fiscalizar e até mesmo alertar autoridades quando abusos fossem cometidos. Se tal trabalho educativo ocorresse em escala nacional, é certo que a incidência de sujeira nas praias brasileiras e também em parques e florestas iria diminuir consideravelmente.
A aplicação de sanções, como multas em dinheiro e serviços comunitários (de limpeza da praia e plantio de árvores nativas, por exemplo), seria outra ação a ser não apenas considerada ou colocada como lei do país, mas principalmente a ser executada.
Precisamos preservar as nossas praias e todas as nossas riquezas nacionais de que tanto nos orgulhamos. O estímulo ao turismo, em particular ao eco-turismo, pode gerar empregos, divisas, oportunidades e crescimento para os cidadãos e para o país. Para que isso aconteça é preciso que possamos oferecer boa infra-estrutura para receber os visitantes e, principalmente, que nosso valiosíssimo acervo de belezas naturais esteja preservado!
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras


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