Comida de Botequim: Samba, suor e sabor
O sambinha rola solto. As pessoas nas mesas conversam animadamente. Outros gastam seu tempo a jogar um baralhinho, em animados carteados regados pela “loira” onipresente. É sexta-feira e os bares de todo o Brasil recebem seus usuais freqüentadores disponibilizando o que tem de melhor para esse público fiel - muita música, cerveja e o irresistível sabor de suas preparações simples que a todos conseguem conquistar. Coxinhas, risoles, bolinhos de bacalhau, croquetes de carne e pasteizinhos revezam-se nas mesas com torresminhos, bolinhas de queijo, tábuas de frios, azeitonas e amendoins torradinhos e salgados. Manjubinhas, polentas e porções de carne-seca alternam o democrático espaço com as tradicionais batatinhas fritas.
E o bate-papo segue por altas horas. São pessoas a entrar e sair em busca da necessária happy-hour que não tem horário definido para começar ou acabar. Sua extensão no tempo é variável, pois as recompensas pela estadia são tantas e tão valiosas que não há hora para chegar em casa, mesmo que o cansaço por vezes nos faça querer ir embora...
Tradição brasileira de tantas décadas, os bares são tão constantes na paisagem de nossas cidades que não concebemos a existência de aglomerados urbanos em que essa instituição nacional não exista. Dizem os mais irônicos que se uma localidade não tem igreja, praça e bar, não pode ser considerada cidade desse país...
Juntamente com todos aqueles acepipes deliciosos que mencionamos ou conhecemos de nossas visitas aos botequins nacionais, há também considerável acervo de bebidas que parecem peças de um vestuário definitivo desses estabelecimentos. A caninha que se transforma em caipirinha, a vodca que se nacionalizou em combinações tropicais, o vinho que se tornou quente nas frias noites de inverno e embala festas e tradições caipiras ou mesmo o uísque que é tomado a seco, no molde dos caubóis de rodeios.
A comida de botequim tornou-se um estandarte da gastronomia nacional mesmo não querendo se elitizar. Atualmente é objeto de estudos da sociologia e da história e consagra-se em festivais e encontros gastronômicos revisitada pelos estudiosos e especialistas da área. Mesmo ameaçada pela crescente onda de reurbanização que pretende extinguir toda e qualquer ameaça aos seus devoradores anseios de modernidade, a cultura dos botequins parece prestes a sobreviver em virtude de seus intensos e encantadores prazeres gastronômicos...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



Poxa João, vontade doida de sair agora direto prum bar... rsrs... abração!!!
ResponderExcluirNão existe nada melhor que os quitutes de um bom botequim, em que pese a quantidade enorme de colesterol normalmente encontrado neles, mas, o que seria da vida sem as loucuras esporádicas?.
ResponderExcluirJoão Machado