A Pedagogia da Produtividade: Crianças e Adolescentes sob pressão...
"A pressão vem de todos os lados. Os pais se sentem pressionados a dar aos seus filhos o melhor de tudo e fazer deles os melhores em tudo - essa pressão obviamente se transfere para as próprias crianças. Mas os sistemas escolares também adicionaram mais pressão nos últimos anos por tentar fazer descer goela abaixo mais aprendizado acadêmico mais cedo e mais rápido. Assim, vemos crianças sob pressão para aprender a ler e escrever cada vez mais jovens. E depois há a obsessão com os exames, para que as crianças sejam testadas mais e mais até que as notas se tornem mais importantes do que a própria aprendizagem. É uma visão do século 19, de educação que prepara as pessoas para trabalhar em fábricas, em empregos estúpidos de escritório. O mundo mudou e precisamos de pessoas mais criativas e flexíveis. Precisamos de uma revolução nas escolas." (Carl Honoré, jornalista britânico e autor do livro "Sob Pressão", em entrevista para a Revista Educação)
Aperta-se o cerco. As pessoas nem se dão conta. Trabalham mais hoje do que faziam antes. Não se desligam. Estão todo o tempo ligadas a alguma atividade. Passaram a viver sob a pressão social que lhes demanda produtividade. Ao invés de utilizarem a tecnologia de modo a lhes facilitar o cotidiano, aprisionaram-se a ela, ficando o tempo todo a sua disposição. Computadores, internet, celulares, e-books e tantos outros recursos que surgiram permitem conexão total, são os modernos "canivetes suíços", com mil e uma utilidades. Costumo brincar com os alunos dizendo-lhes que a atual geração de celulares nos permite até fazer ligações telefônicas, tantas e tão arrojadas possibilidades nos oferecem (TV, internet, música, utilitários de computadores...).
O pior de tudo é que não nos damos conta dessa pressão (ou seria opressão?). Parece invisível aos nossos olhos, a nossa consciência. Não nos libertamos, pelo contrário, parecemos nos render cada vez mais a esta rotina estressante que nos abate, nos fere, nos faz enfermos e que chega mesmo a nos matar. Se a morte não acontece fisicamente, se configura na quebra dos relacionamentos, na distância que passamos a ter até mesmo das pessoas mais próximas, da família, do trabalho, das amizades...
"O sucesso a qualquer preço", título de filme inesquecível de David Mamet, estrelado pelos astros Jack Lemmon e Al Pacino (entre outros grandes atores), parece ser a tônica do mundo em que vivemos. Quando pensávamos ter superado o tempo em que predominavam os workaholics, passamos a viver a necessidade da onipresença virtual. Conheço pessoas que tem 2 ou mais aparelhos celulares, por exemplo, para que se sintam conectados o tempo todo e para que não corram o risco de que com a falha de um destes equipamentos, sejam desconectados...
Caminhava com um amigo e um adolescente pouco antes de uma palestra que ia ministrar em universidade paulista quando um belo aparelho celular, destes caros smartphones, foi sacado pelo jovem administrador de empresas para que nos mostrasse o que a empresa em que trabalhava havia lhe dado. Custava, na época, cerca de mil dólares. Impressionava por todos os recursos e possibilidades. Ele estava contente demais e orgulhoso por ter em mãos tal equipamento. Foi então que o adolescente lhe interpelou dizendo: "Custou pouco para seu empregador fazer com que você esteja a disposição dele 24 horas por dia." Perspicaz, não é mesmo? Percebeu que o equipamento era um canal direto de acesso para telefonemas, e-mails, torpedos... E que, com isso, aquele promissor profissional estivesse sempre ao alcance de alguns toques no teclado de um telefone...
E o pior de tudo é que essa pressão toda, verdadeira doença social, também está sendo repassada as crianças, adolescentes e jovens. Nas escolas, onde ao invés do foco ser a aprendizagem propriamente dita, temos os resultados prevalecendo. Vivemos hoje nas salas de aula a Pedagogia da Produtividade. Notas altas, rankings educacionais (nacionais e internacionais), a competição ao invés da cooperação, a disputa ao invés do trabalho compartilhado. É preciso estar no topo desde cedo se o que se pretende para o amanhã é o sucesso. As vitórias do futuro começam nos primeiros anos da educação é o que se apregoa...
No primeiro mundo esta regra está já disseminada, nas redes públicas e privadas de ensino. No Brasil está ganhando cada vez mais espaço. A escola deixou de lado a humanização e a criatividade e assumiu, de vez, a produtividade e os resultados como essência. Chegar em primeiro ou estar entre os melhores é o que se propaga aos ventos, como novo mantra social, a regular a vida no trabalho, na escola e em todos os segmentos da existência humana.
Não é a toa que os problemas psico-sociais estão cada vez mais frequentes entre as crianças e adolescentes. Falta-lhes maturidade, é claro, para administrar as pressões as quais são submetidos. São a eles impostas formas de agir, de pensar, de responder as necessidades diárias... Não se estimula a iniciativa, a capacidade criativa, a iniciativa, a disposição para tentar e inovar... Se apregoa a modernidade, a rapidez, a tenacidade, a integração global, mas no fundo mesmo, os homens estão recriando as condições nas quais as pessoas fazem o que tem que fazer, o que se espera delas, sem possibilidade de pensar com profundidade o que realmente querem para suas vidas (ainda que pensem ter o controle da situação, de suas existências). Estão vivendo o sonho alheio...
Há mais e mais crianças e jovens ansiosos, deprimidos, tensos, violentos, com dificuldades de relacionamento... Isso não acontece por acaso... As pressões vem da sociedade, da escola, do mercado de trabalho e, o pior, começam dentro de casa, a partir dos próprios pais, aqueles que deveriam estar preocupados com a saúde física, mental e espiritual destas novas gerações. São eles que, pressionados pela competitividade do mundo globalizado, transferem para seus filhos, ainda crianças, as dinâmicas sociais atuais, relacionadas a produtividade, a concorrência, a disputas. Não são poucos os casos de pais que escolhem as escolas dos filhos, ainda no Ensino Fundamental, pensando nos exames de admissão do vestibular, ou seja, já de olho na profissão, na empregabilidade, no mercado de trabalho...
Resultado mais imediato? As crianças deixam de ser crianças. São convocadas a agir e pensar como adultos. Não exploram e vivem a infância. Deixam de brincar prematuramente. Abandonam a fantasia e os sonhos da meninice. Quando se tornam adolescentes externam sua tristeza, amargura, decepção e cansaço ou com atos de rebeldia e violência ou então com a indiferença, insones, descrentes, incapazes de ver o mundo com os olhos da descoberta, do encantamento, das possibilidades infinitas que se apresentam. Deixam de ter vontade própria, disposição para inovar e renovar, impossibilidade de superar os dramas do cotidiano, rendendo-se aos problemas psíquicos, as enfermidades sociais, as dificuldades de relacionamento, ao isolamento, as drogas...
O que fazer? É certo que não podemos parar de trabalhar e conseguir para os empreendimentos com os quais estamos ligados o crescimento, o progresso, a prosperidade. Mas podemos rever as metas, trabalhar dentro de perspectivas mais modestas, ter menos afã de lucros e bens materiais.
Quando tive apendicite, depois da operação e processo de recuperação concluídos, fui ao médico, que me explicou ser tal problema fruto do excesso de atribuições e responsabilidades, do stress e da correria do dia a dia. E olhem que sou considerado pelas pessoas que me conhecem como pessoa tranquila, de paz, zen... Disse então justamente que sabia ser impossível para mim deixar de trabalhar, de cumprir com minhas atribuições, mas que deveria evitar a correria, sair mais cedo de casa, andar mais devagar, subir os degraus um de cada vez...
É preciso mostrar para as crianças e adolescentes que os bens materiais são apenas meios ou recursos através dos quais facilitamos ou melhoramos nossa qualidade de vida e que não se constituem em fins ou objetivos maiores pelos quais vivemos.
Nas escolas a aprendizagem deve ser o interesse maior. Se os exames avaliam os cursos, as escolas, criam rankings e definem a qualidade da educação, que essa seja a tônica e não que se utilizem estes resultados para pressionar os estudantes. Melhorar as escolas é necessário, mas acima de tudo estão os seres humanos, o respeito a sua individualidade, a valorização do ser, a formação do cidadão, a concessão de instrumentos que lhes permitam a autonomia, a ética, bons relacionamentos, capacidade de trabalho e, em especial, a felicidade.
Que nossas crianças possam ser crianças. Que os adolescentes consigam viver sua maturação sem que sejam constantemente pressionados por resultados. Que o jovem dê seus primeiros passos na vida adulta sem que seja cobrado desde cedo a produtividade máxima e a competição desmedida. Que o adulto permita-se passos cadenciados, dando-se o necessário tempo para chegar aonde pretende, sem pressa...
Por João Luis de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



Na minha opinião é de extrema importância e de gravissimo caso falar cobre esse tema que é polêmico no mundo de hoje, a escola ela não é um espaço pelo qual você busca conhecimento amplo e de visão de mundo,para novos conceitos, para o "novo". Principalmente ensino médio, ensino fundamental e por incrivel que pareça o ensino infantil que é a base do ser humano, é fato estamos vivendo no seculo 21 onde tudo é multiuso, as crianças elas ja nascem literalmenmte falando com um chipe implantando dentro de sì. Os avanços tecnológicos se avançam cada vez mais e crescem mediante a necessidade da sociedade, e claro da competitividade mundial. Mais para mim é um crime a pressão que essas crianças sofrem devido essa tal competitividade profissional, para se ter um bom estudo e um futuro promissor, e pior ainda os país adotam esses métodos de que " criança inteligente e que vai se dar bem na vida" é aquela que faz varias coisas ao mesmo tempo, exemplo, cursos... Varios cursos de uma vez, as melhores escolas, que ensinam até inglês para uma criança de 2 anos, isso é um absurdo, e a vida afetiva, emocional, e a inteligencia interna dessa criança não existe? Como pode tal pais aceitarem que seus filhos sejam vitímas de processos no qual é baseado em modelador. Sim levamos em consideração que esse sistema ja é passado de anos em anos, então certamente esses pais atuaís acomodaram nesse ritímo, porque foram formados em um sistema pelo qual você não tem o direito e nem a coragem de se manifestar e lutar pelos seus conceitos. A escola ela é dominada e influenciada por fatores de ordem social, economico cultura, cientifica e tecnologica. É comodo para o sistema um país pelo qual as pessoas atendem a todas regras e seguem padrões hierarquicos . Para que formar seres pensantes, se o sistema que estamos levando, se a pressão o grande de numero de tarefas que exigimos desses bando de ovelhas literalmente falando é lucro e poder para nós?. Sim esse é o pensamento de quem governa, de quem tem um poder economico maior que nós as ovelhas..
ResponderExcluirJéssica Naísa- aluna de Pedagogia- Bilac