O Último Imperador: Uma notável e grandiosa viagem pela China Imperial
No filme do diretor Bernardo Bertolucci, temos a oportunidade de acompanhar a história verdadeira (adaptada para as telas) daquele que foi o representante final de uma tradição política que se impunha a seu país e a seu povo desde tempos imemoriais.
Protegidos ao longo do tempo pelas barreiras naturais que se impunham entre seu país e outras regiões do planeta (como o clima gélido que os mantém separados de porções do território russo, o oceano Pacífico que os deixa protegidos do Japão ou mesmo cadeias de montanhas que impedem a chegada dos povos que ficam ao sul de seu imenso território, como os indianos), os chineses puderam preservar sua cultura e prorrogar a vida de suas tradições para que viessem a se tornar milenares.
Entre as tradições mantidas estava o sistema político, de bases imperiais, em que o poder ficava nas mãos de determinadas famílias ao longo de décadas ou séculos. Perpetuava-se o domínio político de uma determinada dinastia a partir do princípio da hereditariedade. Pouco importava saber se o novo mandatário era capaz de exercer com justiça e competência a administração do país; não havia uma real preocupação com o que poderia acontecer com a população se o novo imperador se revelasse despreparado ou tirânico, sádico ou apenas interessado nas benesses do poder e do cargo em que estava investido.
Questionamentos populares, eventuais sinais de rebeldia, luta pela autonomia de províncias ou mesmo manifestações em favor de melhorias por parte do povo eram considerados atos passíveis de punição e castigos dos mais variados níveis (do aprisionamento aos castigos físicos, do exílio a morte). As trocas de comando eram provocadas apenas pelas disputas travadas entre as famílias de poderosos, que uniam forças com outros senhores e desafiavam a autoridade dos soberanos no poder.
A história da China muda de rumos a partir do momento (entre os séculos XIX e XX) em que se abrem as portas (à força) do país a entrada de estrangeiros, interessados nas possibilidades comerciais de um país de enorme mercado consumidor e variadas possibilidades de produção e exploração de recursos naturais. Esses novos ventos que sopram nas grandes cidades chinesas promovem o surgimento de novas idéias, inclusive no que se refere à política; o século XX confirma essa nova realidade local com golpes e revoluções que estabelecem no gigante chinês a república e o socialismo num curto espaço de tempo (entre as décadas de 1910 e 1950).
Pu Yi, o último dos imperadores locais, teve a má sorte de ter vindo ao mundo justamente quando essas mudanças estavam acontecendo...
O Filme
Pu Yi (John Lone) passou seus primeiros 24 anos de vida fechado na Cidade Proibida onde, aos três anos de idade, havia sido elevado ao posto de imperador da China. Nesse ambiente fechado vivia cercado de todos os cuidados normalmente dispensados aos imperadores, o que lhe garantia privilégios e mordomias dos mais variados tipos.
Não tinha contato com seu povo, desconhecia as dificuldades pelas quais passavam seus súditos, era assessorado por ministros e secretários muitas vezes inescrupulosos e, com certeza, não desconfiava das alterações pelas quais passaria muito brevemente o seu país.
Surpreendido por um golpe de estado que fez surgir a república na China, teve que sair da Cidade Proibida e iniciar uma verdadeira epopéia rumo a seu destino final. Na década de 1930 foi utilizado como testa de ferro pelos japoneses no comando de um novo país no território chinês, chamado de Manchukuo.
Em 1949 viu a ascensão de um forte movimento de bases populares liderado pelo socialista Mao-Tsé-Tung chegar ao poder e todos os símbolos relacionados ao passado imperial sofrerem intensas e violentas perseguições por parte do novo regime.
Seus dias pareciam contados, seu passado glorioso como imperador era apenas uma lembrança esmaecida com o passar dos anos; atrás das grades do novo sistema, Pu Yi estava condenado a purgar, a pagar pelo luxo e pela ostentação burguesa condenada pelos artífices do socialismo...
Obs.: O filme foi premiado em festivais de cinema na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos, onde arrebatou 4 Globos de Ouro e 9 Oscars (melhor filme, diretor, fotografia, direção de arte, figurino, edição, trilha sonora, som e roteiro adaptado).
1 - Há um grande vazio na educação dos países ocidentais quanto aos países do Oriente. A não ser esporadicamente, ou de forma deturpada (criando estereótipos), culturas notáveis como a chinesa, a indiana, a japonesa ou a árabe, raramente nos são apresentadas de forma fidedigna. Há vários caminhos pelos quais poderíamos aproveitar e conhecer um pouco mais esses povos, sendo que poderíamos seguir o seguinte roteiro:
a) A partir da geografia poderíamos fazer um levantamento da localização, dos dados relativos a população desses países, das informações relacionadas à produção econômica, da vegetação, do clima...
b) Utilizando a História podemos descobrir como se desenvolveu cada um dos países quanto a sistemas políticos, leis, cultura, hábitos, economia...
c) A literatura pode se encarregar de nos guiar, através das páginas destacadas da produção local, a um conhecimento das relações sociais, do comportamento, da ética, do cotidiano das famílias...
d) Uma boa pesquisa pode nos indicar descobertas e realizações dos povos do Oriente na matemática, na física, na medicina, na biologia e na química.
2 - Como realizar as pesquisas? Há recursos disponíveis na internet, nas bibliotecas das escolas ou dos municípios e nos filmes. Peça a seus alunos que procurem sites, livros, revistas, artigos de jornais e filmes que tenham como tema à China, o Japão, a Índia ou qualquer um dos países do Oriente.
3 - Motive-os para que a produção final resulte no surgimento de apresentações a serem feitas para outras turmas, mostras com painéis, jornais informativos com o conteúdo dos trabalhos, explicações feitas a partir da exposição de trechos selecionados de filmes...
Por João Luís de Almeida Machado



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