Breves reflexões sobre o ser...
O celular toca. Atendo. Perguntam quem é... Fico estático, sem palavras, penso em falar meu nome, mas a dúvida me faz ir além daquilo que está gravado em minha carteira de identidade... Parece que quero mais, preciso saber além daquilo que me identifica perante a humanidade, da escolha de meus pais quando foram ao cartório para me batizar... Quem é, afinal, este ser? O que represento, por onde ando, quais são meus pensamentos? O que já fiz, de bom ou ruim? De que modo contribuo para o amanhã? Estou por aqui apenas de passagem ou fica alguma coisa para depois? O que trago de meus pais? O que lego a meus filhos? De repente, do outro lado da linha, alguém continua a perguntar por mim... Cansado de esperar, desliga... Com ele, desligo também destes breves questionamentos e volto ao mundo... Ainda sem saber ao certo quem sou, mas sem muito tempo para isso agora...
Por vezes pareço perder a esperança de que as coisas mudem para melhor, como se estivesse vivendo momentos de descrença, de um amargo sabor na língua, como se tudo o que fazemos não pudesse reverter em prol de nossos sonhos legítimos por um mundo melhor... Nestes momentos preciso de palavras amigas, de estímulo, de força... E apesar dos pesares, das lágrimas que por vezes rolam, da dor no peito, levanto a cabeça e percebo que não vou desistir no meio do caminho, que vou continuar a lutar...
Tenho saudade da vida simples, daquela em que o luxo real era termos todo o tempo do mundo, sem se preocupar com dinheiro, contas a pagar, todos os compromissos do mundo. Viver parecia mais leve, menos sofrido, com mais tempo para um sorvete, uma pedalada, um bate-papo sem compromisso com os amigos, sem que o relógio a todo o tempo definisse onde deveríamos estar...
Tudo o que eu queria era acordar um dia e encontrar o mundo em paz, harmonia, com as pessoas se entendendo, se gostando, com a ética prevalecendo... Creio que é possível sim, que isso não é apenas um sonho, que tudo depende, essencialmente, da nossa atitude, postura, confiança, capacidade de ajudar ao próximo sem querer nada em troca...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras


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