E agora, João?
O crédito do celular acabou
Não deu tempo de falar
Tudo o que era preciso
Tampouco tive coragem de dizer
O que a vida significa sem você
O vazio que se estabelece em sua ausência
O medo que por vezes
ronda o meu coração
e me tira o sono
E agora, João?
O que fazer se há inflação
ou ainda se a corrupção continua
e cresce sem que nada aconteça
Se as pessoas tanto trabalham
que nem ao menos tem tempo para si mesmas
muito menos para os seus filhos, amigos, pais...
Como viver neste mundo
Em que o dinheiro é o principal valor
e força motriz a nos mobilizar ou motivar
Onde entra a solidariedade,
E o tempo da amizade,
Ou ainda, quando chegaremos a felicidade?
E agora, João?
Neste mundo em que ter é mais que ser
O que fazer para reverter este quadro
Como ensinar para nossas crianças o que de fato faz valer...
O abraço, o carinho, o aconchego,
A solicitude, a fraternidade, a alegria das coisas simples
E tudo o mais que sempre prezamos
Cadê o tempo para no domingo passar na casa dos tios,
Bater um papo com os primos, visitar velhos amigos,
Sentarmos todos a mesa para degustar (os comes e bebes e a conversa boa)
E agora, João?
Que as pessoas estão, mas não estão
Dizem que sentem, porém não demonstram
Assumem posições, sem realmente vestir a camisa
Beijam os escudos e bandeiras ou os rostos alheios
Mas não amam, não abraçam, não se sensibilizam
Amam, sem amor...
É João,
O amanhã não sei,
Do passado tenho algumas memórias e saudades,
Apenas sei que o que temos é o hoje
E o agora, este momento,
te digo, viva da forma mais saborosa possível,
Perceba a riqueza, as possibilidades, os encantos
Chore se a lágrima tiver que surgir,
Ria com gosto, se a comicidade vier a tona,
Dê aquele mergulho no mar, e sinta a água, o sal, o calor, a brisa...
Lembrando sempre que, afinal,
O imprescindível são as relações que estabelecemos
As pessoas com as quais vivemos tantas emoções
Por isso...
Ame, sempre com intensidade,
porque é isso que no final das contas ficará...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras
Obs. Estas linhas surgiram a partir da imortal inspiração do poema "E agora, José?", do imortal mestre Carlos Drummond de Andrade. Sem qualquer intenção ou pretensão de passar próximo da grandeza deste nosso imortal poeta. É apenas um ensaio, algumas linhas para aliviar a tensão e dar alguns toques...


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