Vidas no Lixo
Grazielle e Crisleide. Meninas de 14 e 10 anos respectivamente. Catam lixo pelas ruas de São Paulo. Vendem a sucata que tem algum valor e, com isso, ajudam a família com as contas de casa. Fazem parte de uma prole de 8 filhos que será aumentada com mais dois por conta dos gêmeos esperados por sua mãe.
Estudam, no entanto, algumas vezes por semana matam aulas para poder catar. Saem cedo de casa, sem se alimentar e, por isso, muitas vezes consomem produtos que encontram nos sacos de lixo que vasculham.
Leandro, de 18 anos, se junta a esta dupla. Ele também cata lixo. Diz que as vezes faz bicos como ajudante de pedreiro ou de eletricista. Fala que já trabalhou como empacotador de supermercado. Olha para o lixo como fonte de renda e, ao mesmo tempo, como local de onde vem seu alimento diário.
Vê o lixeiro e sucateiros motorizados como concorrentes. Está atrasado nos estudos, mas reconhece que na escola reside alguma possibilidade de melhorar a vida...
Burlando por completo a dignidade mínima exigida para a existência humana e também as prerrogativas dos códigos que protegem os menores no país, como o Estatuto da Infância e da Adolescência, as imagens descritas, retiradas da realidade, nos chocam pela naturalidade com que os protagonistas encaram sua condição, vivendo dia após dia nesta eterna busca pela sobrevivência sem perspectiva de superar esta condição.
Dos sacos de lixo e de seu conteúdo que possui valor comercial, como latas, papelão, embalagens retornáveis e outros descartes, cria-se a possibilidade dos parcos ganhos que irão ajudar a pagar pelos víveres básicos que os mantém e também a seus familiares.
Vidas no Lixo, curta-metragem de Alexandre Stockler, nos coloca em contato com a vida destes brasileiros, migrando da infância para a adolescência e o mundo adulto, que catam lixo pelas ruas das grandes metrópoles brasileiras como a capital paulista.
Vidas no Lixo, curta-metragem de Alexandre Stockler, nos coloca em contato com a vida destes brasileiros, migrando da infância para a adolescência e o mundo adulto, que catam lixo pelas ruas das grandes metrópoles brasileiras como a capital paulista.
O interessante é perceber que no meio desta tragédia cotidiana que se apresenta aos nossos olhos, os protagonistas Leandro, Crisleide e Grazielle perambulam pelas ruas ainda acreditando que há salvação, luz no fim do tunel, chance de vencer, mesmo que todas as apostas sejam na direção contrária.
E, ainda, se dar conta de que o filme, assim como o drama cotidiano que retrata, percebido em várias esquinas de cidades de grande e médio porte neste país continente, chocam apenas momentaneamente os espectadores, gerando um torpor, um enrubescer de vergonha e indignação perante tão grande injustiça sem que isso desencadeie ação real contra este crime social...
Temos que reagir. Organizar ações que tirem estas crianças e adolescentes das ruas e os levem para a escola, com a devida assistência, tendo acesso aos cuidados que precisam para se desenvolver de forma sadia, bem alimentados e orientados. Ações governamentais e trabalhos desenvolvidos por ONGs precisam ser estimulados ou reforçados para que amanhã esta dura realidade deixe de fazer parte de nossa realidade.
Temos que reagir. Organizar ações que tirem estas crianças e adolescentes das ruas e os levem para a escola, com a devida assistência, tendo acesso aos cuidados que precisam para se desenvolver de forma sadia, bem alimentados e orientados. Ações governamentais e trabalhos desenvolvidos por ONGs precisam ser estimulados ou reforçados para que amanhã esta dura realidade deixe de fazer parte de nossa realidade.
Enquanto uma só criança estiver perdida pelas ruas, entregue as drogas, sem alimento, vasculhando o lixo em busca de sobrevivência, o país não terá atingido o desenvolvimento social almejado.
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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