Amizade
"A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas" [Francis Bacon]
Encontraram-se depois de tanto tempo e tinham muito o que falar.
Saudaram-se com um fraterno abraço igual ao que dispensamos somente a quem realmente nos toca o coração.
Se haviam se reunido para celebrar, assim o faziam, dando-se sempre o direito de cantar, dançar, comer, beber, jogar, bater papo e tudo o que de algum modo lhes fazia felizes.
Os encontros fortuitos - na fila do banco, no supermercado ou em repartições públicas, por exemplo - eram sempre mais longos do que poderiam ser.
Quando o encontro era por motivo triste, respeitavam a lágrima um do outro e ainda procuravam se consolar.
A amizade já tinha tantos anos que qualquer rusga ou diferença havia sido abandonada ao longo do caminho em favor do respeito e carinho que existia entre aquelas pessoas.
Eram diferentes e, para eles, isto era importante. Sabiam-se autênticos, únicos, motivo pelo qual se respeitavam e gostavam ainda mais um do outro.
Quando se deram conta, o tempo passara, a correria do trabalho e as demandas pessoais os haviam distanciado, mas ainda assim, perdurava forte e sempre presente a amizade.
Algumas décadas de memórias já se acumulavam.
Os pais dos amigos eram como se fossem da família, por vezes até mais do que os próprios tios em relação aos quais tinham laços de sangue.
As histórias de quando ainda eram crianças eram repetidas e contadas de forma saborosa para os filhos e depois para os netos.
Da parte dos outros, que conheciam aquela história dos amigos, de tantos anos, havia um misto de admiração e inveja. Pensavam em como seria ter amigos como aqueles...
O certo é que, provavelmente mesmo depois que suas histórias neste mundo terminassem, ainda assim estariam reunidos no segundo andar a se divertir como nos bons tempos...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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