Tombos ao longo do caminho...


Os tombos ao longo do caminho fazem parte da jornada de todos nós. Arranhar os joelhos, machucar as mãos, cortar-se, sujar-se ou acumular alguns hematomas compõem a história de todos e de cada um. Permitir-se os erros e percebê-los como momentos em que aprendemos novas lições e podemos crescer é algo que exige maturidade e que deve ocorrer com naturalidade. Não perceber que os passos que damos ao longo da jornada se fazem também destes deslizes e problemas é se iludir. Não há vida perfeita. Não há trajetórias sem contratempos.

Parece um assunto tão batido, mas nos tempos atuais, em que as exigências e demandas da sociedade são maiores, sem tanto tempo para que as pessoas possam sequer respirar para atender o que lhes é cobrado pessoal e profissionalmente, até as crianças e adolescentes estão sendo esmagados pela orientação geral de que devemos atingir níveis de erro zero, ou de acertos em todos os momentos.

As crianças e adolescentes, assim como os adultos, podem, devem e irão errar. É natural e inerente aos seres humanos. É claro que não queremos que isso aconteça, mas quando ocorrer não devemos realizar uma cobrança tão intensa, quase como uma vigilância ou patrulhamento quanto ao que ocorreu. Refletir, ponderar, corrigir, melhorar para o amanhã é o que se espera. 

Trabalhar juntamente a quem cometeu os erros para que compreenda como, porque e onde falhou. Orientar quanto as opções que têm para que isso não se repita. Saber, ainda assim, que isso pode acontecer novamente e, no caso de crianças e adolescentes, ter paciência, disciplina e fôlego para retomar e buscar acertar o passo. 

Não transformar pequenos problemas em grandes dilemas é outra necessidade. Dimensionar as questões e percebê-las como acontecimentos que irão ser superados. Trabalhar para que os erros e as feridas eventualmente abertas possam cicatrizar de forma natural, sem atropelos, é algo que deve ser feito por quem é mais maduro e responde pelas crianças e adolescentes. Sabendo que mesmo eles, adultos e maduros, são passíveis de erros e que no passado vivenciaram situações em que tiveram igualmente que ser orientados.

As tempestades e as tormentas são maiores se as percebermos desta forma sem que nos preparemos para elas e as encaremos como acontecimentos que fazem parte do ciclo da vida. Prepare-se para estas situações e proteja as crianças e os adolescentes dando o tempo necessário para compreender suas dificuldades, problemas e para que os hematomas surgidos possam ser curados sem grandes dramas.

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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