No lugar do outro


Perceber o mundo como ele é depende de uma capacidade que poucos entre nós temos, a do desprendimento, da condição de se colocar no lugar do outro, no espaço que não é o nosso, por isso acabamos nos centrando no nosso mundo particular e, tantas vezes, não conseguimos ir além, para compor um mundo melhor, mais diverso, tolerante, rico em experiências.

Expandir o olhar, buscar o além, o horizonte que nos escapa aos olhos e que pertence a outrem. Já tentou fazer isso? Com que frequência? Ou será que você vive apenas a perceber aquilo que é seu, somente seu?
Se aquilo que vive lhe basta e já lhe preenche como ser humano estas palavras talvez não façam sentido para você. Se deseja algo mais, experiências que permitam viver com mais intensidade que nunca em sua vida, abra todos os sentidos e, além mesmo daquilo que é mais imediato e fugaz, perceptível aos nossos corpos, permita-se também abrir seu cérebro e seu coração para tudo o que há ao seu redor, em especial para todas as pessoas com as quais convive.

Há um lugar no universo que transcende o aqui, o agora, que pertence a todos e a ninguém, que pode ser atingido se conseguirmos superar a imediata dimensão da realidade, toda centrada em nossos atos, gestos e em nosso cotidiano. 

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã" repete a canção nas ondas do rádio. A resposta reside justamente neste ponto, ou seja, na condição de nos doarmos, de estarmos a disposição, de fazer sem querer nada em troca, apenas porque queremos ser solícitos, prestativos, capazes de oferecer a alguém nossos préstimos por consideração, estima, respeito.

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Comentários

  1. Fazer o bem, sem olhar a quem. Infelizmente uma constatação que cabe a bem poucos, os que conseguem fazê-lo certamente alcançarão a felicidade plena.

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