Lições de Peter Drucker: O Descarte Consciente
"O descarte consciente e intencional do que é obsoleto e improdutivo é condição prévia para a busca do que é inovador e promissor. O descarte é, acima de tudo, a chave para a inovação, tanto por liberar recursos necessários quanto por estimular o desenvolvimento do novo que substituirá o tradicional." [Peter Drucker]
Peter Drucker, falecido em 2005, é considerado por muitos como o inventor da administração da forma como a conhecemos hoje. Esse austríaco judeu que se radicou nos Estados Unidos assim que se iniciaram as perseguições nazistas ao seu povo na Europa considerava-se, acima de tudo, escritor e estudioso. Foi professor universitário com passagens por grandes instituições de ensino superior dos Estados Unidos, como Harvard, mas inexplicavelmente sua obra, de grande enlevo, sempre foi desconsiderada pelos meios acadêmicos, ainda que constituísse sempre a vanguarda na explicação de conceitos que somente seriam entendidos e analisados novamente alguns anos ou mesmo décadas depois.
Ao mirar, por exemplo, na questão do que chamou de Descarte Consciente, focado nos interesses corporativos e não ambientais, se bem que é premente associar as duas áreas, ainda mais tendo em vista os evidentes acidentes naturais causados pelo homem e por suas corporações, Drucker tinha em mente atingir a inércia que muitas vezes atinge empresas e que pode até vitimá-las quando se prendem aos sucessos do passado e não conseguem vislumbrar o que o mercado futuro demanda.
Um exemplo notável de Descarte Consciente foi a forma como a Apple Computers, de Steve Jobs, no final da década de 1990, quando seu criador e principal executivo retornou a empresa, descartou diversos projetos em andamento que eram apenas continuidade ou tentativa de atualização de equipamentos que o mercado um dia comprara da Apple. Como nova prática adotaram o foco em novos produtos e isso acabou ocasionando o surgimento de mercadorias que arrebataram os consumidores de todo o mundo, como o Ipod, o Iphone e o Ipad, criando novas categorias de produtos e fazendo com que a Apple se tornasse, ao final dos anos 2010, a maior empresa do mundo. {Será que sem Jobs, falecido em 2011, esse ímpeto inovador e o descarte consciente continuarão?].
Por outro lado, se pensarmos na indústria automobilística norte-americana, abalada no final dos anos 1980 pela concorrência dos veículos japoneses e que tentou desde então se revigorar, sofrendo posteriormente com o advento de carros europeus, coreanos e chineses novos reveses, as lições do descarte consciente não foram aprendidas. Os orientais e europeus logo perceberam no cenário mundial que a demanda por veículos mais econômicos e ambientalmente corretos (com menor emissão de poluentes) iria compor o mercado a partir da década de 1990. Por isso criaram veículos de pequeno ou médio porte, com motores de menor potência e foram aos poucos aderindo a fontes de energia alternativas, como o etanol (essa lição de casa os americanos também fizeram, felizmente!).
Diga-se de passagem que, em termos de olhar para o futuro e de realização de descarte consciente no quesito combustíveis, o Brasil foi um dos pioneiros ao lançar, ainda no final dos anos 1970, o Pro-Álcool e os carros movidos por esse combustível de origem vegetal. E isso, de olho na crise do petróleo que assolava o mundo desde os idos de 1973/74, com a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus representantes racionando as vendas de petróleo e causando aumentos consideráveis nos valores do barril do ouro negro.
De qualquer forma, ao firmar este conceito, Drucker alerta as empresas e seus representantes, de qualquer setor, a não se acomodar e, sim desafiar, muitas vezes, aquilo que parece mais lógico e evidente, sempre de forma calculada e planejada, analisando friamente o que é o mercado hoje e como ele estará amanhã...
Por João Luís de Almeida Machado


Comentários
Postar um comentário