Camisa de força
A camisa de força imobiliza...
o manifestante que grita pela paz,
o estudante que pede melhor educação,
o doente que clama por remédio contra sua dor,
seus corpos ficam inertes,
mas suas vozes persistem...
Há camisas de força que calam,
sem que se perceba,
sem que se sinta,
sem que se imobilize,
São sutis, sorrateiras e vis,
estão aqui, ali, acolá,
pensamos saber e ainda assim ficamos submissos...
Estas camisas de força
não se aplicam a nossos corpos,
não paralisam os membros,
são invisíveis, sutis e sorrateiras...
Estão por todos os lados,
a interagir com todos e com cada um,
silenciam o cérebro,
causam torpor,
dão a impressão de normalidade...
Não há nós, laços e braços
a nos conter,
Há ladainhas e repetições, versos
a serem decorados, memorizados
e vividos... sem reflexão...
Estas camisas de força são tão poderosas
que não as vemos ou sentimos,
de suas amarras e nós
não conseguimos nos desatar
mesmo se com um breve,
sucinto olhar, a percebemos...
Ou você se acha livre?
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras


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