A Copa do Mundo em que todos são vencedores


Quem foi o último campeão do mundo de futebol? Qualquer pessoa bem informada se apressará a responder que a Espanha foi a vencedora no torneio realizado na África do Sul, em 2010. Mas se a resposta dada for Escócia, todos irão se surpreender, tendo em vista que este país nem mesmo se classificou nas eliminatórias europeias para a última Copa do Mundo FIFA. Talvez falte localizar um pouco melhor a respeito de qual torneio estamos falando para que fique mais claro... 

A Escócia foi campeã mundial de futebol no ano de 2011, em torneio organizado e realizado na França, com sede única em Paris. Esta competição se chama Copa do Mundo dos Sem-Teto (ou dos desabrigados) e, apesar dos escoceses terem vencido o México na final e o Brasil ter ficado em terceiro lugar, o que se pode dizer, de fato, é que neste evento esportivo, todos são vencedores. Afinal de contas, acima até mesmo dos mais honrados e gloriosos méritos relacionados ao esporte (saúde, trabalho em equipe, planejamento, organização, boa alimentação, fair play...), neste torneio o objetivo maior é atingido antes mesmo que a bola role. 

Como? Parta do princípio que em primeiro lugar, os jogadores são pessoas sem-teto, refugiados fugidos de perseguições políticas ou desastres naturais, gente que perdeu tudo e que não tem boas perspectivas para o futuro a curto, médio ou mesmo longo prazo. Os organizadores do evento pensam justamente nisso, ou seja, na possibilidade do esporte lhes permitir o resgate da dignidade, da confiança, da capacidade de ajudar ao próximo, da condição de trabalhar para que o futuro seja melhor. 

E o futebol, como esporte que mobiliza bilhões de pessoas, articula seus jogadores e torcedores tanto do ponto de vista físico, enfatizando questões primordiais relacionadas a saúde das pessoas e, também, revitalizando o espiritual, o mental e também o social. O futebol brasileiro teve a oportunidade de, em alguns momentos, perceber como este esporte (e o mesmo acontece em outras modalidades) e seus atletas podem melhorar, pelo menos parcialmente, a vida de pessoas carentes. 

Em 2004, por exemplo, os craques da Seleção Brasileira foram ao Haiti, para uma partida contra a seleção local. Aparentemente nada diferente de tantos amistosos que a equipe canarinha disputa todos os anos. Mas o intuito era maior que o esporte, tinha o sentido de dar esperança, fé, confiança e ânimo para a população do mais pobre e sofrido país do continente americano. 

Em 1969, outro momento marcante da história do futebol brasileiro, o Santos FC, do rei Pelé, foi ao Congo para um amistoso e fez com que a guerra que estava acontecendo naquele país parasse, pelo menos durante o dia em que o melhor jogador de futebol do mundo e seus colegas de clube por ali estivessem. Marcante e mágico, uma partida de futebol teve força para que uma guerra civil fosse paralisada. 

O evento futebolístico Copa do Mundo dos Sem-Teto realiza-se desde 2003, é anual e tem regras próprias, diferenciadas daquelas do torneio da FIFA ou de campeonatos regulares disputados nos quatro cantos do mundo. Existe uma versão para os homens e outra para as mulheres, mas acima de tudo, seu sentido maior, aquele que representa a maior conquista, é o da solidariedade e o da recuperação da autoestima de seus participantes. Por isso, nesta Copa, todos são vencedores! 

Por João Luís de Almeida Machado

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