Tecnologias na sala de aula em números: é preciso pensar o assunto!
"Pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunidade (Cetic) aponta que 81% das escolas brasileiras possuem laboratório de informática e 38% contam com computadores nas bibliotecas ou salas de estudo. Por outro lado, apenas 16% disponibilizam conexão com internet nas salas de aula e só 4% das escolas possuem computadores nas classes. Para Sérgio Ferreira do Amaral, professor livre-docente da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma parte mínima destas escolas faz uso real dos equipamentos, em operações que vão além de editar textos e pesquisar na internet." (Tecnologia para quê? Texto de Diego Molina, para a revista Educação, ano 16, nº 187, novembro de 2012)
Algumas leituras quanto aos números e informações apresentados neste trecho do artigo:
- Levando-se em conta as dimensões continentais e as disparidades regionais do Brasil, 81% das escolas brasileiras possuírem laboratório de informática parece ser um dado bastante animador, do ponto de vista do crescimento rápido e acentuado destes recursos no contexto educacional do país.
- Em se considerando, por outro lado, que as tecnologias de informação e comunicação, entre as quais computadores e internet, expandiram-se de modo bastante rápido entre os diversos segmentos de atuação humana a partir dos anos 1990, principalmente depois do estabelecimento da web comercial, com o surgimento do netscape e outros navegadores em 1995 e da queda nos custos dos equipamentos, passados mais de 15 anos entre esta época e hoje, termos 19% das escolas sem internet demonstra que os esforços não foram suficientes e que esta demanda tem que ser atendida urgentemente.
- Ter internet disponível em apenas 16% das escolas é outro índice que merece análise. É baixo demais e, em se considerando que computador sem internet é como carro sem combustível, aonde é possível chegar sem tal conexão?
- Computadores em apenas 4% das salas depende não apenas da aquisição destes recursos, assim como no caso do uso da internet, é preciso equipar tanto as escolas quanto preparar professores e funcionários para o uso de tais ferramentas. Ter computadores, notebooks, tablets e internet em sala é inócuo se os planos de ação não estão concatenados para integrar estes recursos as aulas. Para isso é ncessário e premente preparar os professores, apresentando os recursos, fazendo as adaptações para o ambiente educacional, selecionando softwares e aplicativos, indicando sites cujo conteúdo seja consistente e de interesse.
Neste sentido, a afirmação do professor Sérgio Amaral talvez seja o dado/informação mais importante, pois nos coloca diante daquilo que é óbvio e não queremos ver, ou seja, que o uso das tecnologias ainda se restringe, em muitos casos, senão na maioria (o que depreende pesquisas), a operações com processadores de texto, pesquisas na internet, aulas em powerpoint ou ações isoladas em redes sociais... É preciso ir além disso!
Toda essa modernidade só faz sentido se compreendida, aplicada e revertida, de fato, para as ações e realizações educacionais, apoiada pela inteligência pedagógica dos agentes educacionais.
Por João Luís de Almeida Machado


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