Nenhuma paixão pode sobrepor a vida humana
Dia de festa. Final da Copa dos Campeões na Europa. Os italianos da Juventus iriam enfrentar os ingleses do Liverpool. Estádio lotado. Estávamos no mês de maio de 1985. O que era para ser um grande espetáculo futebolístico se transformou, porém, numa das maiores tragédias da história do futebol. Os Hooligans ingleses, alcoolizados e violentos, promoveram uma verdadeira batalha e arruinaram o cenário que deveria ser palco de um grande jogo. Ao final do episódio marcado por agressões e quebra-quebra o saldo foi de 38 mortos e de muitos feridos. A UEFA, entidade responsável pelos torneios europeus, entendeu (assim como toda a opinião pública) que a Tragédia de Heysel, como ficou conhecido este fato em virtude do nome do estádio, localizado na Bélgica, foi causada pelos torcedores ingleses e tomou medidas drásticas contra as equipes daquele país. Clubes da Inglaterra foram banidos das competições continentais européias por 5 anos.
Em 1989, alguns anos depois do ocorrido, novo fato relacionado a estádios e torcedores violentos conhecidos como Hooligans aconteceu na Inglaterra, em torneio nacional. Era a final da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingam Forest. Confrontos entre torcedores dos dois times e contra a polícia não deixaram o jogo completar sequer 10 minutos. Mais mortes aconteceram, num total trágico de 96 pessoas. O que parecia ser perseguição européia aos clubes e torcedores ingleses se tornou caso nacional e fez com que no país se iniciasse um processo de identificação dos culpados e afastamento destes falsos torcedores, arruaceiros e baderneiros, dos estádios.
Tragédias como estas mancham o esporte e tiram o brilho de uma das mais belas atividades humanas, a disputa, a competição, o jogo e o embate dentro das quadras, pistas, piscinas, autódromos e demais campos.
O ocorrido na partida da Libertadores da América no jogo entre San Jose da Bolívia e Corinthians, com a morte de um adolescente boliviano de apenas 14 anos, atingido por um rojão lançado por torcedores corintianos, conforme pode ser visto em imagens transmitidas em noticiários de televisão é mais uma tragédia do esporte mais popular do mundo e requer medidas como as que foram tomadas na Europa em relação aos ingleses.
A Comenbol já definiu que o Corinthians não poderá ter torcida em seus jogos no torneio deste ano de 2013. Isso afeta o clube pois há perda de receita e, além disso, seu 12º jogador, como é conhecida a fiel corintiana, não estará em campo. Para os torcedores que vão aos gramados para se divertir, de forma justa, sem deixar as paixões levá-los a extremos, apenas com o intuito de ver o jogo e torcer pelo seu time do coração a perda é grande.
Para os falsos torcedores, que promovem guerras dentro e fora do estádio, e isso não se refere apenas aos corintianos, mas a todos os grandes clubes do Brasil e do mundo, é preciso medidas mais duras. O que pode e precisa ser feito?
- É preciso identificar estes baderneiros, fichá-los e puni-los pelas violências e quebra-quebras;
- Uma vez identificados, estes falsos torcedores devem ser banidos do futebol;
- Os sistemas de segurança dos estádios precisam ser reforçados com mais câmeras e o policiamento precisa ser mais ostensivo;
- Multas devem ser aplicadas as torcidas organizadas nas quais falsos torcedores estão agrupados;
- Fogos de artifício de qualquer natureza não devem ser permitidos em eventos esportivos que reúnam grandes contingentes de pessoas; Espetáculos com fogos devem ser organizados pelos promotores dos eventos, a partir de projetos desenvolvidos por profissionais;
- A venda de bebidas alcoólicas precisa ser revista, com possibilidade de surgirem restrições parciais ou totais;
- Fogos de artifício de qualquer natureza não devem ser permitidos em eventos esportivos que reúnam grandes contingentes de pessoas; Espetáculos com fogos devem ser organizados pelos promotores dos eventos, a partir de projetos desenvolvidos por profissionais;
- A venda de bebidas alcoólicas precisa ser revista, com possibilidade de surgirem restrições parciais ou totais;
- A reincidência, ou seja, novos casos de violência promovidos pelas torcidas organizadas devem ocasionar que estes grupos sejam proibidos e desativados;
- Multas e penas aos clubes devem ser impostas;
- Exclusão de torneios, em casos mais graves, podem ser imputadas aos clubes e aos países, como aconteceu na Inglaterra.
O futebol está de luto. O Corinthians lamenta o ocorrido na Bolívia e vai arcar com as consequências pois não poderá ter sua torcida nos próximos jogos do torneio intercontinental. Ninguém, no entanto, perdeu tanto quanto a família do jovem boliviano que morreu no estádio para o qual fora apenas querendo assistir a um jogo de futebol entre seu time e o atual campeão mundial...
Por João Luís de Almeida Machado



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