A Páscoa e a revolução de Cristo

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. 
João 15:12-13

E lá estava a gruta onde o corpo de Jesus fora deixado, enrolado por um manto, depois de todo o martírio a que fora submetido. Aparentemente havia sido invadida. Quando notaram o que havia acontecido e para lá foram correndo, seus seguidores imaginavam que isso poderia ter sido mais algum tipo de violência ou perseguição realizada pelos romanos ou por qualquer outro grupo que ainda não percebera a santidade daquele ser iluminado.

Ao chegarem e se depararem apenas com o tecido ali largado, sem que por lá estivesse o corpo, pensaram o pior. Além da violação do túmulo, haviam levado os restos mortais de Jesus. O que queriam estes vândalos usurpadores? Não bastava todo o sofrimento impingido a ele e a todos que o amavam e o seguiam. Sua bondade transcendia. Seus milagres o faziam admirado e respeitado. Suas palavras e ações pautadas na paz e no amor o tornaram único.

Não era um líder político. Derrubar o império romano e suas injustiças era o mote de tantos outros, mas não de Jesus. 

Era, isto sim, um revolucionário. Multiplicou pães e peixes diante de milhares de pessoas. Curou doentes. Transformou água em vinho. Suas maiores realizações, no entanto, foram aquelas relacionadas ao amor e paz que pregou e transformou em bandeiras. Por meio de suas parábolas, formas simples de se comunicar e atingir a todos, convenceu tantos em diferentes momentos, como quando queriam apedrejar uma mulher acusada de adultério, a caminhar na direção da misericórdia, do perdão e da solidariedade.

Ainda assim ele havia sido castigado de forma cruel e crucificado. Ainda assim sua tumba havia sido violada.  Nem mesmo seu corpo poderia descansar em paz.

Quando, subitamente, irrompeu a tumba e apareceu para aqueles que choravam seu desaparecimento ou que pensavam em como recuperar seu corpo, Jesus mantinha a serenidade que o caracterizara em vida. Apesar do suplício a que fora submetido, não tinha marcas da maldade em seu corpo, apenas os machucados das mãos e pés onde foram fincados os cravos que o seguraram na cruz. Seu rosto continuava lívido e belo, seus gestos mantinham a força e ao mesmo tempo a calma peculiares, parecia levitar diante de todos eles, que se ajoelharam, sem entender direito o que ali estava acontecendo, mais um milagre perante cada um deles...

Ao invés do ódio, da amargura, da decepção e da dor destilarem da figura de Jesus ou de suas breves palavras, o que se percebia era o perdão, a superação da morte, a presença novamente do revolucionário que não fora derrotado pelos flagelos humanos impostos a ele. Quem o torturara e o crucificara morreria, pois os  homens têm como único destino certo o fim da vida, mas Jesus, ali permanecia e com ele, em sua ressurreição, a clara mensagem de Deus aos homens: A revolução passa pela paz, amor, misericórdia, perdão, solidariedade, caridade e justiça, valores que tanto apregoou seu filho durante a breve existência terrena que tivera. 

Sua pureza e bondade não haviam perecido com a crucificação. A Páscoa o sagrara, com a ressurreição, com seu renascimento, com seu triunfo sobre a morte, o verdadeiro filho de Deus. A revolução do Cristo continuava, agora ainda mais forte, pelos próximos anos, décadas, séculos e milênios. E ainda hoje perdura, mais de dois mil anos tendo se passado...

Por João Luís de Almeida Machado

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