A medida da cobrança

Cobrar não é algo fácil.

Está relacionado a estabelecer métricas, quantificar, definir metas e objetivos.

Na escola há métricas definidas ao se estabelecer, por exemplo, a média a ser obtida pelos alunos em suas avaliações.

Há instituições que trabalham com aproveitamento na faixa dos 60% de acertos enquanto outras sobem a régua para que a média seja ponderada a partir dos 70% de êxito nas questões propostas.

São instrumentos que validam o rendimento considerado satisfatório, pensando que há aqueles que vão tirar a nota máxima e alguns que não irão chegar nessa média mínima ponderada.

Parece básico, elementar e isso é de conhecimento público para todo mundo que passou pelos bancos escolares.

Assim como é claro para quem frequentou salas de aula que o advento do conceito de inteligências múltiplas criado por Howard Gardner ajuda a entender porque algumas pessoas são muito boas em matemática e outras em ciências humanas enquanto há aqueles que nadam de braçada em física ou química e estudantes que adoram leitura, escrita, artes e linguagens. E, como por vezes dizemos, tudo bem quanto a isso, não precisamos ter as melhores e maiores notas em todas as áreas do conhecimento.

Estimulamos nossos alunos a estudar, acompanhar as aulas, se preparar da melhor forma possível. As tarefas ajudam assim como os plantões de dúvidas. As listas de exercícios são muito úteis tanto quanto os registros em sala de aula. Não há almoço grátis, como diz o ditado popular. Costumo dizer que não há atalhos para chegar mais rápido ao conhecimento, é preciso estudar mesmo.

Tudo isso para dizer que cobrar melhor rendimento dos nossos estudantes ou dos filhos é algo importante e natural para os pais ou responsáveis, no entanto, é preciso ter cuidado para que essa cobrança não seja excessiva ou insuficiente.

Se for insuficiente significa, na prática, que o acompanhamento, monitoramento e incentivo aos estudos pelos pais/responsáveis está aquém do que deveria. Falta participação e estímulo. Estudar exige exercício constante e isso demanda esforço considerável para um adolescente ou para uma criança. Para adultos já não é algo fácil e natural, imagine então para quem está em formação e frequenta aulas no ensino básico, do fundamental ao médio. Não basta ser pai (ou mãe), é preciso participar! Aí entra a cobrança que precisa ser regular, saudável e, ao mesmo tempo, estimulante. 

No caso de adolescentes, por exemplo, fase de intensa mudança hormonal, física e emocional, em que os filhos/estudantes tem mais sono, muita vontade de estar com os amigos ou ficar no celular ou nos games, o caminho deve ser trilhado com tempos estipulados, em comum acordo, com o adolescente. Por exemplo, definindo períodos de 30 minutos de estudo alternados com algum tempo para o lazer, de uns 15 a 20 minutos, definindo-se que nessa meia hora, o estudante deve realizar tarefas, resolver listas de exercícios e revisar conteúdos trabalhados naquela manhã de aulas. Depois dos 15 ou 20 minutos de relaxamento, mais 30 minutos de estudos e, assim vai, completando 1 hora no mínimo, no contraturno, para os estudos. No ensino médio o ideal seria, pelo menos de 1 hora e meia a 2 horas nesse regime alternado, aparentado da técnica pomodoro, aplicada e usada por profissionais e empresas.

Se for excessivo, na realidade, significa que se está colocando peso demais nos aparelhos de ginástica e que, com isso, há risco de lesões, numa analogia com academias de ginástica. Cobrar horas de estudo em demasia e notas sempre acima de um patamar razoável em todas as matérias acaba, literalmente, estressando o estudante, gerando possibilidades de ansiedade, pânico ou, no mínimo, insegurança e medo em relação aos pais/responsáveis por não ter atingido a nota esperada.

Não são poucos os alunos que desabam no aspecto emocional, mesmo sendo inteligentes e capazes de desempenhos muito bons, por cobrança excessiva de seus progenitores. Quando você traça uma linha e cobra de um adolescente que ele tenha rendimento excelente, a carga emocional é pesada demais e, em algum momento, por nervosismo, excesso de demanda, cansaço, noite mal dormida e, principalmente por pressão dos pais e do próprio estudante, ao não atingir a nota 9,0 ou 10,0 esperada, ele ou ela podem, literalmente, "quebrar", tendo crises de ansiedade, choro compulsivo, vontade de sumir do mapa...

É algo muito importante a ser considerado pelas famílias! E se há dúvidas quanto ao assunto, procure a escola de seus filhos para maiores esclarecimentos. (JLAM)

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